Cada vez menos moedas à venda, e o comprador americano ainda não apareceu
Por Luísa Pires · Publicado em
O Payroll fraco tirou a pressão do Fed, mas não dos juros longos — e a Europa virou o novo foco de risco. No meio disso, o Bitcoin sobe com cada vez menos moedas à venda, e falta só o comprador americano aparecer.
Nesta edição
- 01Semana pela frente
- 02Macro
- 2.1Cotações de referência
- 2.2Destaque macro
- 2.3Destaque dos mercados
- 2.4Brasil no radar
- 03Institucional
- 04Bitcoin
- 05Altcoins
- 06Ativos tradicionais
- 07Review performático
- 08Notícias relevantes
- 09Destaque da semana
- 10On-chain
- 11Indicador técnico
ISM de Serviços (segunda, 05/10) · ata do FOMC (quarta, 07/10) · falas de dirigentes do Fed a semana inteira. A agenda é fina em dados e grossa em eventos. Com o mercado reduzindo as apostas de nova alta em outubro, dado fraco alivia os yields e ajuda o Bitcoin; dado forte reacende o medo de juros mais altos, num momento em que o Treasury de 10 anos segue acima de 5,2%.
Semana pela frente
Agenda cripto · 05 a 09 outSemana focada em atividade, Fed e juros, depois do Payroll fraco e do PCE abaixo das expectativas. A agenda é fina em dados e grossa em eventos: ISM de Serviços na segunda, ata do FOMC na quarta e uma rodada de falas de dirigentes do Fed ao longo da semana.
11:00
11:00
- Cripto no radar: o CLARITY Act não conseguiu avançar no Senado em setembro e não há nova votação confirmada para esta semana; o mercado acompanha possíveis retomadas das negociações. Também merece atenção a nova proposta da SEC, apresentada em 1º de outubro, para criar regras específicas de custódia de criptoativos por fundos e consultores de investimento.
- Também na semana (Live de Domingo, 04/10): leilões de Treasury de 10 anos na quinta e de 30 anos na sexta, IPCA de setembro no Brasil na sexta (projeções de 0,75% a 0,79%), feriado da Golden Week na China e segundo turno das eleições brasileiras em 25/10.
A semana gira em torno de ISM, ata do Fed e emprego. Com o mercado reduzindo as apostas de nova alta de juros em outubro, dados mais fracos podem favorecer a queda dos yields e a melhora da liquidez para o Bitcoin. O risco é o oposto: dado forte reacende o medo de juros mais altos, num momento em que o Treasury de 10 anos segue acima de 5,2%.
Macro
Panorama global · 05/102.1Cotações de referência
| Mercado | Nível | Variação |
|---|---|---|
| Treasury 10 anos | 5,28% | — |
| Brent | US$ 102,52 | +0,3% |
| S&P 500 futuro | — | −0,2% |
| Stoxx 600 | — | +0,2% |
| Nikkei 225 | — | +2,4% |
| Euro | US$ 1,12 | −0,4% |
| Bitcoin | ~US$ 86.049 | +0,9% (24h) |
Fechamento de sexta-feira (02/10) em Wall Street, segundo a AP: S&P 500 em 7.722,71 (+0,7%), Dow Jones em 51.176,96 (+0,5%) e Nasdaq em 27.190,86 (+1,2%). Na semana, S&P −0,3%, Dow −1,3% e Nasdaq +0,5%. O euro está na mínima em 17 meses. A cor indica o sinal do número, não se a notícia é boa: a alta do Brent aparece em menta por ser variação positiva, embora petróleo caro pressione a inflação.
2.2Destaque macro
O mercado começa a semana dividido. O Payroll mais fraco reduziu a chance de nova alta do Fed em outubro, mas os juros longos continuam elevados e a Europa virou o novo foco de risco.
O primeiro ponto é a França. O euro caiu para a mínima em 17 meses porque investidores estão cobrando juros maiores para financiar o país, diante de déficit elevado e dificuldade política para ajustar as contas. O spread dos títulos franceses contra os alemães passou de 150 pontos-base, e a preocupação agora é de contágio para outros países europeus. Em sequência: dívida francesa preocupa, os bonds franceses caem, os yields sobem, o euro enfraquece e o risco se espalha.
O segundo ponto é o Fed. O Payroll abaixo do esperado derrubou as apostas em nova alta de juros em outubro. O Fed, que subiu os juros pela primeira vez em três anos em setembro, para 3,75% a 4,00%, ganhou espaço para esperar.
O terceiro ponto é o petróleo, que segue acima de US$ 100. Os fluxos de petróleo e gás pelo Oriente Médio estão se recuperando: as exportações da região atingiram em setembro o maior nível desde o início da guerra, e os embarques de GNL por Ormuz também avançaram. Isso limita parte do prêmio geopolítico, mas o Brent em US$ 102 ainda mantém pressão inflacionária.
2.3Destaque dos mercados
Na semana passada, os Treasuries longos pressionaram S&P 500, Nasdaq e Dow no início, e na sexta as bolsas reagiram bem depois que o Payroll mais fraco reduziu o medo de uma nova alta imediata do Fed. O S&P 500 fechou a 1% da máxima histórica. O índice, porém, nunca esteve tão concentrado.
Outro ponto de atenção são os alimentos: o índice de preços da FAO subiu para 136 pontos em setembro, o maior valor desde novembro de 2022, com alta de 6,1% no açúcar e de 5,1% nos cereais, afetados por interrupções no Mar Negro e no Estreito de Ormuz. Economias que importam comida e energia entram em risco se a tendência continuar, e isso chega à inflação e aos juros.
2.4Brasil no radar
O primeiro turno das eleições gerais terminou com Flávio Bolsonaro ligeiramente à frente de Lula, e os dois avançaram para o segundo turno, marcado para 25/10. A reação inicial dos ativos brasileiros tende a ser positiva, refletindo principalmente expectativas do mercado sobre política fiscal e econômica. O dólar digital já refletiu o movimento: o USDT/BRL caiu de perto de R$ 5,29 no domingo para R$ 5,12 antes de se recuperar para R$ 5,15. A Selic está em 13,75% depois do corte de 0,25 ponto do Copom em setembro, e o câmbio brasileiro hoje responde mais ao juro americano do que ao Copom.
O Payroll tirou pressão do Fed, não dos juros longos
Hoje temos uma mudança importante de foco. Nos EUA, o emprego mais fraco reduziu a pressão sobre o Fed. Na Europa, o risco fiscal começa a contaminar bonds e moedas. O principal termômetro continua sendo o mercado de juros: se o Treasury cai, melhora para tecnologia e Bitcoin; se permanece acima de 5,2%, as condições financeiras continuam apertadas.
O Payroll tirou pressão do Fed, mas ainda não dos juros longos, e agora o mercado soma um novo risco, a dívida francesa e a possibilidade de contágio na Europa. O principal sinal da semana é o comportamento dos bonds globais.
Institucional
Fluxo institucionalDepois de uma semana forte, o fluxo institucional esfriou: os ETFs de Bitcoin captaram US$ 82,9 milhões entre 28/09 e 02/10, contra US$ 2,39 bilhões na semana anterior.
- Fluxo dos ETFs esfria: os de Ether tiveram saída de US$ 118 milhões (antes: entrada de US$ 689,8 milhões) e os de Solana ficaram em US$ 0,8 milhão positivos. O fluxo acumulado de 2026 dos ETFs de Bitcoin segue positivo.
- SEC propõe regras de custódia de criptoativos para fundos e consultores: a proposta, apresentada em 1º de outubro, cria regras específicas de custódia para esse público. Para o mercado institucional, custódia é uma das barreiras operacionais mais citadas, então o avanço regulatório vale ser acompanhado.
- CLARITY Act sem votação confirmada: depois de não avançar no Senado em setembro, não há nova votação marcada para esta semana. O mercado acompanha possíveis retomadas das negociações.
- ETF de NEAR da Bitwise estreia com US$ 35,5 milhões, segundo a Live de Domingo, e os fluxos diários dos próximos dias mostrarão se existe demanda recorrente. Está no radar também o lançamento de futuros de BCH na CME, previsto para 19/10, sujeito a revisão regulatória.
- Tokenização bancária ganha tração: a The Clearing House, operadora dos trilhos RTP e CHIPS, dona de 25 grandes bancos americanos e que processa mais de US$ 2 trilhões por dia, escolheu a Quant (24/09) para a camada de interoperabilidade da sua rede de depósitos tokenizados, com abertura prevista para o 1º semestre de 2027. Em 26/09, sete bancos britânicos, entre eles Barclays, HSBC e Lloyds, fizeram os primeiros pagamentos reais de clientes com depósitos tokenizados em libras.
Bitcoin
Ativo basePreço em torno de US$ 86.049 (+0,9% em 24h), consolidando depois da alta forte dos últimos dias. A foto on-chain de hoje melhorou em relação ao fim de setembro: oferta apertada e holders no lucro, mas a demanda spot americana ainda é a confirmação que falta.
- Outubro favorece o Bitcoin, mas sazonalidade não é gatilho: 10 de 13 outubros (77%) fecharam no azul entre 2013 e 2025, com retorno médio de +18,64% e mediana de +12,73%. Outubro de 2025 foi um dos três negativos (−3,69%), e outubro de 2026 está em +1,96% até agora, depois de julho, agosto e setembro no azul.
- Força relativa de volta: o Bitcoin voltou a vencer o S&P 500 em mais de 50% dos pregões desde 24/09, depois de superar o índice em apenas 1 de cada 5 dias em junho, o pior desempenho em seis anos. Parece demanda específica por Bitcoin, e não só apetite geral por risco.
- Técnico (1h, BTC/USDT): o BTC segue com estrutura positiva, ainda acima das médias de 21, 100 e 200 períodos, mas o curto prazo entrou em consolidação depois da rejeição perto de US$ 86.800. O RSI está perto de 55, ainda acima de 50, mas mostrando perda de momentum depois da sobrecompra recente.
Altcoins
Rotação de mercadoEthereum (ETH) em US$ 2.713, ainda com estrutura positiva no gráfico de 1h, mas perdendo força depois da tentativa de avanço até a região de US$ 2.730 a 2.740. O ETH segue acima das médias de 100 e 200 períodos, então a estrutura maior continua construtiva, mas no curto prazo está testando a região das médias curtas. RSI perto de 51, neutro.
5.1Varredura de tokens
| Token | Volume 24h | Preço | 7 dias |
|---|---|---|---|
| SOL · Solana | US$ 1,48 bi | US$ 121,33 | −2,03% |
| BNB | US$ 1,36 bi | US$ 788,98 | +1,28% |
| XRP | US$ 1,11 bi | US$ 1,499 | −2,37% |
| ZEC · Zcash | US$ 679 mi | US$ 1.333,83 | −19,78% |
| HYPE · Hyperliquid | US$ 470 mi | US$ 90,34 | −2,93% |
| DOGE | US$ 451 mi | US$ 0,0936 | −4,17% |
| TRX · TRON | US$ 267 mi | US$ 0,3361 | +0,60% |
Os mais negociados fora de BTC, ETH e USDT, segundo a Live de Domingo (04/10).
- Maiores altas em 7 dias: QNT +158% (Quant, depois do acordo com a The Clearing House), NIGHT +96,5% (Midnight, que abriu contratos inteligentes sem permissão na mainnet), BTW +78%, SUI +30% (Bitcoin como colateral) e PUMP +25% (recompra e queima). As janelas e as fontes variam, então os números são referência.
- Maiores quedas: LIT −28,7% (Lighter, depois de a Robinhood escolher a Bitstamp) e ZEC −19,8%, realização depois de +75% em setembro. O ZEC ainda é o 4º token mais negociado do recorte, o que mostra que o dinheiro saiu do ativo esticado e foi atrás da narrativa nova de privacidade, uma leitura e não uma certeza.
- QNT merece cuidado: o token saiu de cerca de US$ 64, tocou US$ 373 e corrigiu cerca de 27%, perto de US$ 284 na última leitura, com RSI semanal em torno de 86 (sobrecomprado) e suporte relevante só em US$ 160,7. Nem a Quant nem a Clearing House disseram que os bancos precisam comprar, usar ou queimar o QNT, então vale separar o fundamento da empresa do preço do ticker.
- Catalisadores técnicos: Solana ativa o Alpenglow em etapas (Agave 4.3) ao longo de outubro, com meta de finalidade perto de 150 ms; o Sui Basecamp acontece em 7 e 8/10, em Singapura; a Arbitrum teve novas ativações do Stylus bloqueadas pelo Conselho de Segurança, com retomada a definir pela ArbitrumDAO; e a atualização NU7 do Zcash chega à testnet em outubro.
Ativos tradicionais
Correlação cross-asset- Wall Street fechou a sexta em alta com o Payroll fraco: S&P 500 a 7.722,71 (+0,7%), a 1% da máxima histórica, Nasdaq a 27.190,86 (+1,2%) e Dow Jones a 51.176,96 (+0,5%). Na semana, o Dow caiu 1,3%, o S&P recuou 0,3% e o Nasdaq subiu 0,5%.
- Hoje, S&P 500 futuro cai 0,2%, Stoxx 600 sobe 0,2% e o Nikkei avança 2,4%, em um dia de pouco volume de dados e atenção voltada ao ISM de Serviços.
- Treasury de 10 anos em 5,28%. Na sexta, os yields chegaram a cair com o Payroll, mas devolveram o movimento quando o petróleo recuperou a queda inicial. O mercado de ações segue refém do juro longo: dado fraco alivia, dado forte assusta.
- Brent em US$ 102,52 (+0,3%), ainda acima de US$ 100, com os fluxos do Oriente Médio se recuperando e limitando parte do prêmio geopolítico.
- Euro em US$ 1,12 (−0,4%), mínima em 17 meses, com o spread dos títulos franceses contra os alemães acima de 150 pontos-base.
- Dólar mais fraco na sexta com a redução do prêmio de juros americano, o que ajudou o real. O minério de ferro segue abaixo de US$ 100 a tonelada, sem tração, e o ouro sofre com o dólar e os juros altos.
Review performático
Fechamento vs. aberturaO quadro compara a leitura da Crypto Week passada, de 28/09, com a abertura desta semana, em 05/10.
| Indicador | 28/09 | 05/10 | Variação |
|---|---|---|---|
| Bitcoin (BTC) | ~US$ 82.800 | ~US$ 86.049 | +3,9% |
| Ethereum (ETH) | US$ 2.648 | US$ 2.713 | +2,5% |
| Treasury 10 anos | 5,18% | 5,28% | +10 p.b. |
| Dólar digital (USDT/BRL) | R$ 5,2097 | R$ 5,1549 | −1,1% |
O Bitcoin subiu 3,9% mesmo com o Treasury de 10 anos 10 pontos-base mais alto, sinal de que a demanda por oferta escassa e o Payroll fraco pesaram mais do que os juros longos. O dólar digital recuou 1,1% com o real respirando depois do primeiro turno e da queda do dólar global na sexta.
Notícias relevantes
Rodada da semana| Notícia | Fonte | Comentário |
|---|---|---|
| Payroll de setembro cria 29 mil vagas (esperado: 90 mil), com desemprego em 4,2% e agosto revisado para 133 mil. | Reuters | Dado derrubou a chance de nova alta do Fed em outubro para cerca de 18%, contra 64% na semana anterior. |
| Euro cai para a mínima em 17 meses; spread dos títulos franceses sobre os alemães passa de 150 pontos-base. | Morning Call LP Crypto | Risco fiscal francês vira novo foco, com possibilidade de contágio para outros países europeus. |
| Exportações de petróleo do Oriente Médio atingem em setembro o maior nível desde o início da guerra. | Morning Call LP Crypto | Ajuda a limitar o prêmio geopolítico, mas o Brent segue acima de US$ 100. |
| Primeiro turno no Brasil: Flávio Bolsonaro termina ligeiramente à frente de Lula, e os dois vão ao segundo turno. | Morning Call LP Crypto | Reação inicial dos ativos brasileiros tende a ser positiva; segundo turno em 25/10. |
| ETFs de Bitcoin captam apenas US$ 82,9 milhões na semana, contra US$ 2,39 bilhões na anterior. | Farside Investors | Pausa no fluxo institucional depois de uma semana forte. |
| SEC apresenta proposta de regras específicas de custódia de criptoativos por fundos e consultores (01/10). | SEC | Passo regulatório relevante para a entrada de capital institucional. |
| The Clearing House escolhe a Quant para a camada de interoperabilidade de depósitos tokenizados; sete bancos britânicos fazem pagamentos reais com depósitos tokenizados. | BeInCrypto / CryptoSlate | QNT sobe 158% em 7 dias, mas o papel do token no acordo não foi detalhado. |
| ETF de NEAR da Bitwise estreia com US$ 35,5 milhões. | Live de Domingo (04/10) | Fluxos diários dos próximos dias mostrarão a demanda. |
| Coinbase Premium segue negativo pelo 26º dia consecutivo. | CryptoQuant | Principal sinal de que o comprador americano ainda não confirmou o movimento. |
Cada vez menos moedas à venda, e o comprador americano ainda não apareceu
O dado mais importante desta semana é a combinação entre oferta e demanda. Do lado da oferta, o quadro é raro: as reservas das exchanges caíram para cerca de 2,68 milhões de BTC, o menor nível da série desde pelo menos setembro de 2023, com saída líquida de aproximadamente 18.200 BTC entre 24 e 30/09 e cerca de 12.100 BTC transferidos de exchanges para whales no último dado diário da Glassnode. Ao mesmo tempo, praticamente todos os compradores recentes voltaram ao lucro e não existe capitulação dos holders de curto prazo.
Do lado da demanda, porém, falta a confirmação: o Coinbase Premium está negativo há 26 dias consecutivos e o Apparent Demand de 30 dias segue em cerca de −101 mil BTC, embora melhorando. Se o Premium virar positivo e o Apparent Demand cruzar zero enquanto as reservas continuam caindo, teremos a combinação que transforma uma estrutura construtiva em expansão de demanda. Até lá, o Bitcoin sobe com oferta apertada, mas sem a participação ampla do comprador spot dos EUA.
On-chain
Fluxo de capital · redesA fotografia de 05/10 melhorou em relação ao fim de setembro. Sinal do dia: construtivo, com oferta apertada e holders no lucro, mas com a demanda spot americana ainda como a confirmação que falta.
10.1Oferta nas exchanges na mínima de anos
Esse é o dado estrutural mais importante. A CryptoQuant mostra as reservas agregadas em aproximadamente 2,68 milhões de BTC, o menor nível da série desde pelo menos setembro de 2023. Entre 24 e 30/09, seis de sete dias tiveram netflow negativo, retirando cerca de 18.200 BTC líquidos das exchanges. A Glassnode complementa: nas últimas 24 horas disponíveis, aproximadamente 12.100 BTC foram transferidos diretamente de exchanges para entidades classificadas como whales. Isso não significa automaticamente compra, pode envolver custódia ou OTC, mas mostra que a oferta imediatamente disponível para negociação continua diminuindo.
10.2Holders recentes voltam ao lucro e não capitulam
10.3Whales realizam lucro, sem distribuição de pânico
O SOPR por tamanho de carteira mostra 1,012 entre 100 e 1.000 BTC, 1,081 entre 1.000 e 10.000 BTC e 1,174 entre 10.000 e 100.000 BTC: as whales estão realizando lucro, principalmente as maiores carteiras. A Glassnode registrou aproximadamente US$ 319 milhões de lucro realizado no último fechamento disponível, dos quais cerca de US$ 214 milhões vieram de moedas com 3 a 5 anos de idade. Há distribuição de moedas antigas, mas o mercado está absorvendo essa oferta sem expansão das reservas das exchanges, um equilíbrio saudável enquanto continuar assim.
10.4Contexto de ciclo
Dois sinais on-chain da Live de Domingo reforçam a leitura estrutural. O primeiro é o LTH-MVRV, que mede o lucro não realizado de quem segura há mais de 155 dias e que, no fundo deste ciclo, ficou acima de 1, ao contrário de 2015, 2018 e 2022, quando os detentores de longo prazo chegaram a ficar no prejuízo. O segundo é o preço realizado: a correção de 2026 foi a primeira em que o preço nunca fechou abaixo dele, ao contrário de 2018-19 e 2022-23. Em média, quem segura Bitcoin ficou no lucro.
10.5Derivativos voltam a crescer: aqui está o alerta
A CoinGlass mostra Open Interest de US$ 55,06 bilhões, volume de futuros de US$ 50,28 bilhões em 24 horas e volume spot de apenas US$ 3,68 bilhões: o mercado de futuros é cerca de 14 vezes o do spot reportado, contra 13 na semana passada, e o Open Interest voltou a subir depois da limpeza do fim de setembro. O ponto positivo é que a CryptoQuant descreve o funding como próximo do neutro e a volatilidade implícita extremamente comprimida, com o DVOL perto de 36, abaixo de cerca de 95% das observações desde 2021.
Ainda não existe a mesma configuração de excesso de antes da desalavancagem, mas volatilidade muito comprimida somada a um Open Interest novamente em alta costuma preparar movimentos maiores. A direção desse movimento dependerá principalmente da demanda spot.
10.6A peça que ainda falta: a demanda americana
A CryptoQuant mostra que o Coinbase Premium permaneceu negativo por 26 dias consecutivos e que o Apparent Demand de 30 dias continua negativo, em aproximadamente −101 mil BTC, embora esteja melhorando. Temos reservas em queda, saques de whales em alta, holders de curto prazo novamente no lucro e preço perto de US$ 86 mil, mas a demanda spot americana ainda não confirmou. Se o Coinbase Premium virar positivo e o Apparent Demand cruzar zero enquanto as reservas continuam caindo, teremos uma combinação muito mais forte.
10.7Liquidez: a munição continua crescendo
A DefiLlama mostra stablecoins em US$ 307,08 bilhões, com +0,05% em 24 horas, +US$ 605 milhões em 7 dias e +1,05% em 30 dias. O USDT soma US$ 184,0 bilhões. Não é uma expansão explosiva nas últimas 24 horas, mas é importante que não exista contração de liquidez enquanto a oferta de BTC nas exchanges diminui. O TVL de Bitcoin DeFi também cresceu, para cerca de US$ 4,61 bilhões (+3,31% em 24h), embora seja secundário para a direção do BTC.
O que o mercado não está enxergando?
A leitura de hoje combina duas verdades que costumam andar separadas. De um lado, a oferta líquida disponível continua diminuindo: 2,68 milhões de BTC nas exchanges, cerca de 18.200 BTC de saída líquida na última janela reportada e cerca de 12.100 BTC transferidos de exchanges para whales. Ao mesmo tempo, praticamente todos os compradores recentes voltaram ao lucro e não existe capitulação dos holders de curto prazo.
Do outro lado, o que ainda impede uma leitura totalmente verde é simples: o comprador americano ainda não confirmou o movimento. O semáforo do dia: reservas, holders de curto prazo, SOPR, stablecoins e saques de whales em verde; whales antigas realizando lucro e Open Interest voltando a crescer em amarelo; e o Coinbase Premium ainda negativo em laranja.
Indicador técnico
Estrutura técnica · gráfico 1h11.1Suportes e resistências
| Ativo | Preço | Sup. 1 | Sup. 2 | Sup. 3 | Res. 1 | Res. 2 | Res. 3 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| BTC/USDT US$ | 86.049 | 85.900–85.600 | 85.100–85.200 | 84.400–84.500 | 86.400–86.600 | 86.800–87.000 | 87.500 |
| ETH/USDT US$ | 2.713 | 2.710–2.700 | 2.690–2.695 | 2.680 | 2.720–2.730 | 2.740 | 2.760–2.770 |
| USDT/BRL R$ | 5,1549 | 5,1395 | 5,12 | 5,10 | 5,17–5,18 | 5,1992 | 5,22–5,25 |
11.2Bitcoin (BTC/USDT)
BTC em US$ 86.049, consolidando depois da alta forte dos últimos dias. O gráfico de 1 hora mostra estrutura positiva: o preço segue acima das médias de 21, 100 e 200 períodos (US$ 85.933, US$ 85.119 e US$ 84.468) e praticamente em cima da média de 9 (US$ 86.077). Do suporte mais distante ao alvo mais alto vão 3,6% — é uma consolidação apertada, e por isso cada nível pesa.
- RSI perto de 55, ainda acima de 50, mas mostrando perda de momentum depois da sobrecompra recente. O volume apareceu forte no recuo mais recente e diminuiu na recuperação, o que sugere pausa e não reversão.
- Cenário: enquanto segurar US$ 85.600 a 85.900, o viés continua comprador. Rompendo US$ 86.600 a 87.000, o mercado pode buscar US$ 87.500. Perdendo US$ 85.600, aumenta a chance de correção para US$ 85.100 e depois US$ 84.500.
Conclusão: a estrutura é construtiva, e o nível decisivo no curtíssimo prazo é US$ 85.600. Acima dele, o viés segue comprador; abaixo, a correção tende a ser buscada em US$ 85.100 e US$ 84.500.
11.3Ethereum (ETH/USDT)
ETH em US$ 2.713, ainda com estrutura positiva no gráfico de 1 hora, mas perdendo força depois da tentativa de avanço até a região de US$ 2.730 a 2.740. O ETH segue acima das médias de 100 e 200 períodos (US$ 2.700 e US$ 2.693), então a estrutura maior continua construtiva. No curto prazo, porém, perdeu força e está testando a região das médias curtas, em US$ 2.718 e US$ 2.714. O RSI perto de 51 mostra neutralidade e perda de momentum comprador.
Cenário: enquanto segurar US$ 2.700, o cenário segue favorável para nova tentativa em US$ 2.730 a 2.740. Perdendo US$ 2.700, aumenta a chance de correção para US$ 2.690 e depois US$ 2.680. Acima, as resistências seguintes estão em US$ 2.740 e US$ 2.760 a 2.770. Conclusão: o ETH está colado nas médias, sem direção de curto prazo, e US$ 2.700 é a linha que separa uma nova tentativa de alta de uma correção curta.
11.4Dólar digital (USDT/BRL)
USDT em R$ 5,1549, reagindo depois de uma queda forte e de um teste abaixo de R$ 5,1395. O movimento segue baixista no gráfico de 1 hora, com o preço ainda abaixo de todas as médias relevantes (R$ 5,17, R$ 5,22, R$ 5,23 e R$ 5,22). O ponto positivo é a reação depois da mínima recente. O RSI perto de 36 sai de uma região bastante pressionada, depois de ter tocado perto de 20, e mostra tentativa de recuperação; o volume foi alto na queda e diminuiu na reação, o que ainda não confirma uma defesa consistente dos compradores.
Cenário: para ganhar força, o USDT precisa recuperar primeiro R$ 5,17 a 5,18. Enquanto estiver abaixo de R$ 5,1992, a estrutura continua fraca. Se perder novamente R$ 5,1395, volta a abrir espaço para R$ 5,12 e depois R$ 5,10. Acima de R$ 5,1992, as resistências seguintes ficam em R$ 5,22 a 5,25. Conclusão: o dólar digital segue em tendência de baixa de curto prazo, com real mais forte depois do primeiro turno e do Payroll, e R$ 5,1395 é o nível que precisa ser defendido para a recuperação ganhar credibilidade.
BTC e ETH seguem em estruturas positivas, mas consolidando depois da alta, com RSI perto de 55 e 51 e perda de momentum de curto prazo. Para o Bitcoin, US$ 85.600 é o nível que mantém o viés comprador e US$ 86.600 a 87.000 é a faixa a romper para buscar US$ 87.500. Para o Ethereum, o nível é US$ 2.700. O dólar digital caminha na direção oposta, com real mais forte e preço abaixo das médias, precisando recuperar R$ 5,17 a 5,18.
O catalisador da semana é a ata do FOMC na quarta-feira, junto com o ISM de Serviços de hoje e o comportamento dos bonds globais.
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Relatório gerado com dados de mercado de 05/10/2026, complementados via AP,
Reuters, Glassnode, CryptoQuant, CoinGlass, DefiLlama e a Live de Domingo
(04/10). Conteúdo de caráter educacional e informativo.
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