O Bitcoin voltou ao custo dos compradores recentes, e o dinheiro novo ainda não chegou
Por Luísa Pires · Publicado em
A semana tem um gatilho claro: o CPI de quarta. Enquanto isso, a bolsa americana e o Brasil batem recordes e o cripto fica de fora — o Bitcoin voltou ao preço de custo de quem comprou recentemente, e o dinheiro novo ainda não apareceu.
Nesta edição
- 01Semana pela frente
- 02Macro
- 2.1Cotações de referência
- 2.2Petróleo, juros e Wall Street
- 2.3CPI de quarta: como ler o número
- 2.4Bolsa de poucos: o peso da IA
- 2.5Ouro e bancos centrais
- 2.6Brasil no radar
- 03Institucional
- 04Bitcoin
- 05Altcoins
- 06Ativos tradicionais
- 07Review performático
- 08Notícias relevantes
- 09Destaque da semana
- 10On-chain
- 10.1Compradores recentes no preço de custo
- 10.2Alavancagem e demanda spot
- 10.3Liquidez em stablecoins
- 10.4Mapa de custo e oferta
- 11Indicador técnico
- 11.1Tabela de suportes e resistências
- 11.2Bitcoin (BTC/USDT)
- 11.3Ethereum (ETH/USDT)
- 11.4Dólar Digital (USDT/BRL)
Semana pela frente
Agenda cripto · 12 a 16 outA semana tem um gatilho claro: o CPI de setembro dos Estados Unidos, na quarta-feira. Antes dele, o mercado opera com liquidez fina por causa dos feriados de segunda. Depois, a temporada de balanços dos grandes bancos mostra o custo do dinheiro e a TSMC mostra se o investimento em inteligência artificial continua forte.
| Dia | Horário | Evento | Por que importa |
|---|---|---|---|
| Segunda (12/10) | Dia todo | Feriado no Brasil e Columbus Day nos EUA | Pouca liquidez, e movimentos podem ser exagerados. Não tire conclusões de tendência. |
| Terça (13/10) | Antes da abertura | Balanços de JPMorgan, Goldman Sachs, Citi e Wells Fargo | Mostram margens e crédito com juros longos altos: termômetro do custo do dinheiro. |
| Quarta (14/10) | 09:30 / 15:00 | CPI de setembro (EUA) / Beige Book do Fed | Dado mais importante da semana para juros, dólar e cripto. À tarde, o Fed descreve a economia região por região. |
| Quarta (14/10) | Ao longo do dia | Balanços de Bank of America, Morgan Stanley e BlackRock. Gabinete alemão discute tributação de cripto | BlackRock fala de fluxo de ETFs e visão institucional. |
| Quinta (15/10) | 09:30 | PPI, vendas no varejo e pedidos de seguro-desemprego. Balanço da TSMC | Confirmam ou desmentem o CPI. A TSMC mede o ciclo de IA, que carrega o S&P 500. |
| Sexta (16/10) | 00:30 / manhã | Discurso de Kevin Warsh, produção industrial dos EUA e IBC-Br | Tom do Fed na virada da semana e prévia do PIB brasileiro. |
O mercado chega ao CPI com a bolsa americana perto da máxima, o Treasury de 10 anos em 5,24% e o Brent acima de US$ 105. Se o núcleo da inflação desacelerar, juros e dólar ganham espaço para ceder e o Bitcoin respira. Se acelerar, os juros longos voltam ao centro da discussão. O próximo FOMC é em 27 e 28 de outubro.
- Cripto no radar: reunião do gabinete alemão sobre o projeto de tributação de cripto (14/10), retirada de uma série de tokens menores pela Kraken (23/10) e fim da negociação de USDT e DAI na Coinbase (30/10).
- Também na semana: o Bitcoin começa a semana em torno de US$ 83,4 mil, dentro da faixa de US$ 81,3 a 83,5 mil que segurou o preço de quinta a sábado.
Macro
Panorama global · 12/102.1Cotações de referência
| Mercado | Nível | Variação |
|---|---|---|
| S&P 500 (fechamento de sexta) | 7.811,54 | +0,6% (semana +1,2%) |
| Dow Jones (fechamento de sexta) | 51.654,95 | +0,8% (semana +0,9%) |
| Nasdaq Composite (fechamento de sexta) | 27.366,17 | +0,6% (semana +0,6%) |
| S&P 500 futuro (12/10) | — | +0,1% |
| Nasdaq futuro (12/10) | — | −0,1% |
| Treasury 10 anos | 5,24% | estável vs. sexta |
| Brent | US$ 105,60 | +0,8% |
| Ouro (fechamento de sexta) | US$ 4.220 | — |
| Índice dólar DXY (sexta) / VIX (sexta) | 102,03 / 14,84 | — |
| Bitcoin (08h, 12/10) | US$ 83.438 | +0,65% em 24h |
Fechamentos de sexta (09/10) segundo a AP. O deck da Live de Domingo chama o S&P 500 de “recorde”; a AP o descreve a poucos pontos da máxima, registrada três dias antes. Painel de ouro, DXY e VIX conforme a Live de Domingo.
2.2Petróleo, juros e Wall Street
O petróleo voltou ao centro. O Brent passou de US$ 105 depois de novos riscos geopolíticos, incluindo ataques dos Houthis na Arábia Saudita. A cadeia é simples: petróleo sobe, inflação sobe, o Fed fica mais duro e os ativos de risco sentem. Na Live de Domingo, o diesel entrou nessa conta: Donald Trump fechou com Vladimir Putin um acordo de fornecimento de diesel russo para os EUA, o que afasta a hipótese de suspender exportações americanas, mas adiciona tensão à guerra da Ucrânia.
Mesmo assim, Wall Street segue forte. Com o Treasury de 10 anos em 5,24%, o S&P 500 está perto da máxima histórica, e a Goldman Sachs ficou mais otimista com ações globais, apoiada na expectativa de lucros corporativos fortes. O VIX em 14,84 mostra pouco medo. A leitura é que lucros e IA ainda compensam boa parte da pressão macro, mas sem margem para erro: bolsa em recorde com juros longos altos e petróleo acima de US$ 100 depende de o chão continuar firme.
A IA também mexe com setores tradicionais. A Amazon negocia a compra da startup Decart AI por cerca de US$ 7 bilhões, e o mercado teme que agentes de IA facilitem a migração de clientes e depósitos entre bancos: o índice bancário KBW cai cerca de 13% desde agosto.
2.3CPI de quarta: como ler o número
O CPI é a inflação oficial ao consumidor dos EUA. O consenso gira em torno de 3,6% a 3,7% em 12 meses, contra 3,4% em agosto, com a gasolina em nível recorde puxando a leitura cheia. Para o núcleo (sem alimentos e energia), as projeções estão perto de 0,2% no mês e 2,4% em 12 meses, uma desaceleração em relação aos 0,3% de agosto. A Live de Domingo cita núcleo em torno de 2,5%.
| Cenário | Leitura | Reação provável |
|---|---|---|
| Abaixo do esperado | Núcleo desacelera mais que o previsto | Juros caem, dólar enfraquece, bolsa e Bitcoin ganham fôlego. |
| Em linha | Inflação cheia sobe por causa da gasolina, núcleo comportado | Pouca mudança: o mercado volta aos fluxos e à narrativa de IA. |
| Acima do esperado | Núcleo acelera | Juros e dólar sobem, ativos de risco sofrem, e o Bitcoin testa suportes. |
Consenso de uma única rodada de fontes (Cleveland Fed, Continuum Economics e mercado de previsões); conferir em Bloomberg ou Reuters antes de citar.
Por que o Bitcoin se importa: inflação alta mantém o banco central firme, juros altos encarecem o crédito e dão uma alternativa segura na renda fixa, e dólar forte drena a liquidez global. Foi esse o cenário que pesou sobre o cripto na semana passada.
2.4Bolsa de poucos: o peso da IA
O recorde do S&P 500 é real, mas estreito. Segundo Bloomberg e UBS, o índice de vencedores de IA sobe cerca de 58% no ano, enquanto o S&P 500 sem as empresas que fornecem infraestrutura de IA avança perto de 5%.
Uma cesta de 42 ações de IA responde por 67% do retorno de preço do S&P 500 desde 2024, 58% do crescimento de lucros e 81% do crescimento de capex e P&D. Se o investimento em IA esfriar, o índice sente, e é por isso que o balanço da TSMC, na quinta, pesa tanto.
A amplitude confirma o diagnóstico: 85% das ações do S&P 500 estão pelo menos 10% abaixo da própria máxima, e 17% perderam metade do valor. Ao mesmo tempo, só cerca de 29% das empresas batem o índice em janelas de três anos, perto da mínima da série e abaixo do nível da bolha pontocom em 2000 (cerca de 25% no ponto mais baixo). Não é sinal de topo, é sinal de fragilidade: quando poucos vencem, aumenta o risco de reversão.
Os insiders reforçam a cautela: nos registros mostrados na Live (Shark Signals), são zero compras e 1.209 vendas, num total de US$ 17,24 bilhões. Executivos vendem por vários motivos, como diversificação e impostos, então isso não prova queda, mas pede cautela com euforia.
2.5Ouro e bancos centrais
A China acumula 23 meses seguidos de compra de ouro, a maior sequência já registrada. Em setembro foram 740 mil onças, cerca de 23 toneladas, o maior volume em três anos. As reservas somam 2.410 toneladas, 9% das reservas cambiais, e 45% dos 74 bancos centrais pesquisados planejam comprar mais. É a mesma ideia de reserva de valor fora do dólar que sustenta a tese do Bitcoin.
2.6Brasil no radar
O Brasil andou na frente do cripto na semana. O Ibovespa fechou em 209.067 pontos, recorde, com alta de 8,82% na semana e 1,38% só na sexta. O dólar caiu 4,44% e fechou abaixo de R$ 5, em R$ 4,99, e os juros longos recuaram mais de 150 pontos-base. O Bitcoin ficou do outro lado: queda de cerca de 2% de domingo a domingo, ou 3,4% da abertura de segunda ao fechamento de sábado, conforme a janela da fonte.
Na curva de juros, o DI para janeiro de 2029 está em 12,23% ao ano e o de 2031 em 12,32%. Juro longo mais baixo significa que o mercado cobra menos para financiar governo e empresas, o que ajuda a bolsa, e o dólar abaixo de R$ 5 alivia importados. O IPCA de setembro foi de 0,82% no mês e 4,58% em 12 meses. Em Brasília, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, quer votar a PEC do fim da escala 6 por 1, pauta com custo para empresas.
Para o segundo turno, as pesquisas divulgadas mostram Flávio Bolsonaro à frente de Lula: Datafolha (08/10) 52% a 48% nos votos válidos, PoderData 53% a 47% e Atlas 51,1% a 45,7% nos votos totais. Olhamos só o preço: o mercado já precificou parte desse cenário, e o risco para o investidor é a surpresa, não o resultado. Depois de uma alta tão forte, a pausa para realização de lucros é o risco natural da semana.
Dois mercados, humores diferentes
Hoje temos dois mercados com humores diferentes: a bolsa americana e o Brasil perto das máximas, e o cripto sem fluxo. Com Treasury em 5,24% e Brent acima de US$ 105, o S&P resiste porque lucros e IA compensam a pressão macro. Esse suporte será testado agora por dois fatores: o CPI e os balanços. Se a inflação vier controlada, o mercado ganha argumento para sustentar as máximas. Se surpreender para cima, o nível dos yields volta ao centro das preocupações.
Institucional
Fluxo institucional- ETFs de Bitcoin voltam a sangrar: de segunda a sexta, os ETFs spot saíram cerca de US$ 680 milhões (Farside, dados recentes preliminares). A quarta-feira (07/10) teve saída de US$ 485 milhões, a maior desde junho, e a quinta mais US$ 244 milhões. A semana anterior tinha sido de entrada de cerca de US$ 241 milhões segundo a Live de Domingo.
- A pressão tem datas: a venda se concentrou na terça, com a queda de quase 4% do preço, e na quarta, com a ata do Fed. O CPI de dia 14 é o próximo teste do fluxo.
- ETH e SOL saindo: os ETFs de Ethereum acumulam nove pregões seguidos de saída desde 29/09. Os de Solana perderam cerca de US$ 24,8 milhões e encerraram 14 semanas de entradas. Na semana anterior, apenas o XRP teve entrada relevante, de US$ 4,7 milhões (Bitcoin +US$ 241 milhões, Ethereum −US$ 138 milhões, Solana +US$ 2,4 milhões, conforme a Live).
- BlackRock na quarta: o balanço do dia 14 traz a visão da maior gestora sobre fluxo de ETFs e demanda institucional.
- Mais Bitcoin fora de circulação: ETFs americanos (6,5%) e empresas listadas (6,5%) já detêm 13% de todos os Bitcoins emitidos, o mesmo peso das corretoras (13,3%). A oferta líquida fica menor, e o preço, mais sensível à demanda.
Fluxo de ETF é a torneira do dinheiro institucional, e ela fechou justamente na semana em que o preço caiu. O ponto positivo é que a saída foi concentrada em dois dias, não contínua. Para a leitura melhorar, precisamos ver a torneira voltar a abrir.
Bitcoin
Ativo base- Preço e faixa: o Bitcoin fechou segunda em US$ 86.245 e caiu para US$ 82.888 na terça, uma queda de quase 4% em um dia. A mínima da semana foi US$ 80.337, na quinta, com recuperação rápida. De quinta a sábado o preço ficou entre US$ 81,3 mil e US$ 83,5 mil, e hoje (08h) negocia perto de US$ 83.438. Fechar abaixo de US$ 81,3 mil quebra a faixa.
- Queda semanal depende da janela: −2,1% de domingo a domingo, −3,4% da abertura de segunda ao fechamento de sábado e −3,95% no corte de sexta da Forbes Advisor. A dominância do Bitcoin está em 59,1% e o Fear & Greed em 61, depois de 73 na terça.
- Placar contra a bolsa: segundo a Glassnode, o Bitcoin supera o S&P 500 em mais de 50% das sessões desde 24/09. Cruzar 50% sugere mudança de liderança, mas a amostra é curta.
- Preço anda mais rápido que o dinheiro novo: a capitalização realizada, que reflete o preço de última movimentação de cada moeda, sobe mais rápido que a entrada de dinheiro novo via ETFs, stablecoins e tesourarias. Sem dinheiro novo, as moedas só trocam de mão a preço mais alto, e o rali depende de giro.
- Liquidações: cerca de US$ 651 milhões em posições compradas foram liquidadas na semana, sinal de que a alavancagem ainda era alta. Nas últimas 24h, as liquidações somam US$ 50,8 milhões (CoinGlass).
- Tese de longo prazo, com cautela: um estudo que extrapola a razão entre o valor de mercado do ouro e o do Bitcoin projeta Bitcoin a US$ 1 milhão por volta de 2036 e paridade com o ouro por volta de 2038. O próprio autor ressalva que é extrapolação condicional (R² de 0,9471), não previsão. Serve para dar escala à tese, não para marcar data.
Altcoins
Rotação de mercado- Semana de vermelho nas grandes: todas as principais moedas terminaram negativas no corte de sexta. LINK perdeu 10,5%, ZEC 11,1%, SOL e XRP cerca de 9%, ETH 8,8%, HYPE 5,1%, BNB 4,6% e Bitcoin 3,95%. XMR (−1,6%) e TRX (−0,5%) seguraram melhor. Outras fontes usam janelas diferentes: CryptoTicker mostra ETH −6,8%, SOL −8,1% e XRP −5,8%.
- Beta alto, para os dois lados: em semana de juros e dólar fortes, a altcoin amplifica a queda. Altseason só com liquidez nova, e os ETFs de ETH e SOL esfriando (seção 3) apontam no sentido contrário.
- Quem foi contra a maré (AMBCrypto): Starknet (STRK) subiu 88% e voltou a US$ 0,12, com RSI semanal esticado e US$ 0,15 exigindo volume. Bitway (BTW) subiu 35%, com dez velas semanais verdes seguidas e US$ 1,70 como linha de referência. Aerodrome subiu 11%. Do outro lado, Venice (VVV) caiu 25% após pico de US$ 35, Sky caiu 17% e Rain 8%.
- Cuidado com altas de 88%: saem de preço baixo e pouca liquidez, então são volatilidade, não tendência. Os dados vêm de uma única fonte e a liquidez de tokens pequenos varia muito.
- Ethereum (ETH): em US$ 2.553, reagindo depois da forte queda, acima das médias curtas no gráfico de 1h. Zona de resistência entre US$ 2.560 e US$ 2.580 e suporte em US$ 2.500 a 2.520 (detalhes na seção 11).
- Risco de liquidez em microcaps: a Kraken retira uma série de tokens menores em 23/10, e a Coinbase encerra a negociação de USDT e DAI em 30/10. Observe o prêmio do USDT.
Ativos tradicionais
Correlação cross-asset- Wall Street: S&P 500 fechou sexta em 7.811,54 (+0,6%), Dow Jones em 51.654,95 (+0,8%) e Nasdaq em 27.366,17 (+0,6%). Na semana, S&P +1,2%, Dow +0,9% e Nasdaq +0,6%. O Russell 2000 foi o único a cair (−0,9%), outro sinal de mercado concentrado.
- Hoje: S&P futuro +0,1% e Nasdaq futuro −0,1%, com o mercado dividido entre bons resultados corporativos e o risco de petróleo e juros permanecerem elevados.
- Juros: Treasury de 10 anos em 5,24%, nível alto que significa dinheiro caro. No Brasil, o DI 2029 está em 12,23% e o DI 2031 em 12,32%.
- Petróleo: Brent em US$ 105,60 (+0,8%), acima dos US$ 104,72 de sexta, com novos riscos geopolíticos.
- Ouro e dólar: ouro em US$ 4.220 e índice dólar DXY em 102,03, firme. A China continua comprando ouro há 23 meses.
- Brasil: Ibovespa em 209.067 pontos, recorde, e dólar comercial em R$ 4,99. O USDT negocia um pouco acima, em R$ 5,02, na corretora do gráfico técnico.
Review performático
Fechamento vs. aberturaO quadro compara a leitura da Crypto Week passada, de 05/10, com a abertura desta semana, em 12/10.
| Indicador | 05/10 | 12/10 | Variação |
|---|---|---|---|
| Bitcoin (BTC) | ~US$ 86.049 | US$ 83.438 | −3,0% |
| Ethereum (ETH) | US$ 2.713 | US$ 2.553 | −5,9% |
| Dólar Digital (USDT/BRL) | R$ 5,1549 | R$ 5,0223 | −2,6% |
| S&P 500 | 7.722,72 | 7.811,54 | +1,2% |
| Treasury 10 anos | 5,28% | 5,24% | −4 bps |
| Brent | US$ 102,52 | US$ 105,60 | +3,0% |
O cripto fez o oposto da bolsa: o S&P 500 subiu 1,2% e o Bitcoin caiu 3,0%, com o Ethereum perdendo quase o dobro (5,9%), o que confirma o beta alto das altcoins. O dólar digital recuou 2,6% junto com o real forte. A leitura da semana passada, de que faltava o comprador americano para confirmar a alta, se mostrou correta: os ETFs saíram US$ 680 milhões e o preço devolveu a região de US$ 86 mil.
Notícias relevantes
Rodada da semana| Notícia | Fonte | Comentário |
|---|---|---|
| Brent passa de US$ 105 após ataques dos Houthis na Arábia Saudita | Morning Call LP Crypto | Petróleo mais caro pressiona inflação e juros, o principal risco macro. |
| Amazon negocia a compra da Decart AI por cerca de US$ 7 bilhões | Morning Call LP Crypto | Capital de IA segue forte. O índice bancário KBW cai 13% desde agosto com o temor de migração de depósitos. |
| Ibovespa fecha em recorde (209.067) e dólar cai abaixo de R$ 5 | Forbes Brasil, MoneyTimes, CNN Brasil | Alta de 8,82% na semana e juros longos −150 pb: espaço para pausa. |
| Trump fecha acordo de diesel russo com Putin | Reuters, Investing.com | Afasta medida mais drástica, mas adiciona tensão na Ucrânia. |
| China compra ouro pelo 23º mês seguido (740 mil onças em setembro) | Bloomberg, Banco Popular da China | Bancos centrais fogem do dólar via ouro, tese de reserva de valor. |
| ETFs de Bitcoin perdem US$ 680 milhões; quarta teve a maior saída desde junho | Farside Investors | Dinheiro institucional esfria com o preço em queda. |
| ETFs de ETH somam 9 pregões de saída; Solana encerra 14 semanas de entradas | Farside, SoSoValue, Solana Compass | Esfriamento institucional concentrado nas altcoins. |
| Alemanha discute tributação de cripto (14/10), Kraken retira tokens (23/10), Coinbase encerra USDT e DAI (30/10) | CryptoTicker, Reuters | Calendário de risco para liquidez de microcaps e para o prêmio do USDT. |
O Bitcoin voltou ao custo dos compradores recentes, e o dinheiro novo ainda não chegou
O dado mais importante é a combinação entre preço e fluxo. Depois da queda de US$ 86 mil para US$ 83 mil, o STH-SOPR, que mede se os compradores recentes realizam lucro ou prejuízo, está em 1,0057: eles vendem praticamente no preço de custo. Ainda não há capitulação, mas a margem de lucro desse grupo acabou.
Do lado positivo, a alavancagem foi reduzida: o open interest caiu para US$ 52,45 bilhões, abaixo dos US$ 55,3 bilhões de 07/10. Do lado negativo, o volume de futuros ainda é cerca de 12 vezes o volume spot, as stablecoins encolheram 0,30% em sete dias e os ETFs de Bitcoin tiveram saída de US$ 680 milhões.
A desalavancagem melhora a estrutura, mas não confirma, sozinha, o retorno dos compradores. Para uma recuperação consistente, precisamos ver STH-SOPR sustentado acima de 1, volume spot crescendo e retomada da liquidez. Até lá, o preço fica refém do CPI e da faixa de US$ 81,3 a 83,5 mil.
On-chain
Fundamentos da redeLeitura de 12/10 (últimas 24h): BTC em US$ 83.540, +0,65%. Sinal do dia: neutro e defensivo. A desalavancagem melhorou a estrutura, mas os compradores recentes seguem no limite e a demanda spot é fraca.
10.1Compradores recentes no preço de custo
Segundo a Glassnode, no fechamento de 11/10 o STH-SOPR estava em 1,0057, o LTH-SOPR em 1,4869 e o SOPR agregado em 1,0391. Os compradores recentes realizam praticamente no custo, enquanto os investidores antigos continuam realizando lucro. Uma queda persistente do STH-SOPR abaixo de 1 aumentaria o risco de novas vendas com prejuízo.
10.2Alavancagem e demanda spot
Na CoinGlass, o open interest está em US$ 52,45 bilhões, o volume de futuros em US$ 35,05 bilhões, o volume spot em US$ 2,92 bilhões e as liquidações em US$ 50,8 milhões nas últimas 24h. A redução da alavancagem é positiva, mas o volume de futuros ainda é cerca de 12 vezes o spot, e a recuperação precisa de mais participação compradora à vista.
10.3Liquidez em stablecoins
A DefiLlama mostra US$ 306,2 bilhões em stablecoins: +0,07% em 24h, −0,30% em sete dias e +0,80% em 30 dias. A liquidez continua elevada, mas a contração semanal enfraquece a tese de expansão imediata da demanda por criptoativos.
10.4Mapa de custo e oferta
O URPD mostra quanto dinheiro foi investido em cada faixa de preço. Em 11/10, o preço de US$ 83 mil corresponde a 47% do valor investido. A faixa de US$ 84 a 85 mil é o maior bloco de oferta, que vira resistência porque quem comprou ali quer sair no zero a zero, e a faixa de US$ 77 a 79 mil aparece como suporte de demanda. O preço vive entre eles.
O índice de oferta jovem (Young Supply), que mede a parcela do Bitcoin movida recentemente, subiu de 1,4 na mínima de junho para 13,2 agora, enquanto o preço foi de cerca de US$ 59 mil para US$ 82 mil. Mostra que mãos novas entraram no mercado, mas picos extremos costumam coincidir com topos de euforia, e hoje não estamos lá.
| Quem detém o Bitcoin (20,1 milhões emitidos) | Participação |
|---|---|
| Corretoras (oferta que pode ser vendida rápido) | 13,3% |
| ETFs americanos | 6,5% |
| Empresas listadas | 6,5% |
| Governos | 3,0% |
| Estimativa de Satoshi | 5,5% |
| Todos os demais | 65,3% |
Fontes: Coin Metrics, Farside, CoinGecko, strategy.com e bitcointreasuries.net (11/10/2026).
O que o mercado não está enxergando?
A discussão do mercado é se o CPI vai derrubar ou sustentar o Bitcoin. O que fica menos visível é que o preço está de volta ao principal cluster de custo (US$ 83 a 85 mil), e que quem decide se isso é apenas um reteste ou uma deterioração é o comprador spot, hoje com um volume que é um décimo do de futuros. A desalavancagem limpou o excesso, mas ainda não trouxe o dinheiro novo.
Estrutura melhor, demanda ausente
Derivativos: redução da alavancagem (positivo). STH-SOPR: compradores recentes no preço de custo (atenção). Stablecoins: contração na semana (cautela). O principal alerta é a combinação de compradores recentes perto do prejuízo com demanda spot pouco expressiva. Para uma recuperação mais consistente, precisamos observar STH-SOPR sustentado acima de 1, crescimento do volume spot e retomada da liquidez. Se US$ 83 a 85 mil for recuperado nessas condições, a correção terá limpado alavancagem sem destruir a estrutura.
Indicador técnico
Análise técnica · 1h11.1Tabela de suportes e resistências
| Ativo | Preço | Suportes | Resistências | RSI (14) |
|---|---|---|---|---|
| BTC/USDT | US$ 83.438 | US$ 82.800 a 82.200 / 80.686 / 80.000 | US$ 83.800 a 84.000 / 84.800 a 85.000 / 86.000 a 87.000 | ~47 |
| ETH/USDT | US$ 2.553 | US$ 2.520 a 2.500 / 2.480 / 2.430 a 2.400 | US$ 2.560 a 2.580 / 2.600 / 2.650 | ~57 |
| USDT/BRL | R$ 5,0223 | R$ 5,00 / 4,98 / 4,95 | R$ 5,04 a 5,05 / 5,08 / 5,10 | ~43 |
11.2Bitcoin (BTC/USDT)
- Leitura: o BTC reagiu bem da faixa de suporte (US$ 80.686 a 82.200) e recuperou as médias curtas, mas encontrou resistência novamente perto de US$ 84.000. O RSI perde força e volta para uma região mais neutra.
- Cenário de alta: enquanto permanecer acima de US$ 82.200 a 82.800, a recuperação segue válida. Rompendo US$ 84.000, melhora o cenário e abre espaço para US$ 84.800 a 85.000.
- Cenário de baixa: perdendo US$ 82.200, o mercado volta a mirar US$ 80.686 e, depois, US$ 80.000.
Bitcoin/USDT, 1h, OKX: MA Ribbon (9/21/100/200) e RSI (14), 12/10 às 08h04.
11.3Ethereum (ETH/USDT)
- Leitura: o ETH recuperou bem desde a mínima, voltou acima das médias curtas e agora testa a resistência entre US$ 2.560 e 2.580. O RSI em torno de 57 segue positivo, mas perde força depois do repique.
- Cenário de alta: enquanto segurar US$ 2.500 a 2.520, a recuperação continua válida. Rompendo US$ 2.580, pode buscar US$ 2.600 e depois US$ 2.650.
- Cenário de baixa: perdendo US$ 2.500, aumenta o risco de voltar para US$ 2.480 e depois US$ 2.430 a 2.400.
Ethereum/USDT, 1h, Binance: MA Ribbon (9/21/100/200) e RSI (14), 12/10 às 08h05.
11.4Dólar Digital (USDT/BRL)
- Leitura: o USDT/BRL segue abaixo das médias longas, com estrutura ainda baixista depois da queda forte do início do mês. O preço consolida perto de R$ 5,02, sem força clara de reversão, e o RSI em torno de 43 mostra perda de momentum.
- Cenário de baixa: enquanto estiver abaixo de R$ 5,05, o viés continua fraco. Perdendo R$ 5,00, aumenta a chance de buscar R$ 4,98 e depois R$ 4,95.
- Cenário de alta: recuperando R$ 5,05, pode tentar um repique até R$ 5,08 a 5,10.
USDT/BRL, 1h, OKX: MA Ribbon (9/21/100/200) e RSI (14), 12/10 às 08h06.
O Bitcoin está em consolidação dentro da faixa de US$ 81,3 a 83,5 mil, com resistência em US$ 84.000 e suporte em US$ 82.200. O Ethereum tenta romper US$ 2.560 a 2.580 com momentum perdendo força. O dólar digital segue em estrutura baixista abaixo de R$ 5,05. Com o CPI na quarta, os níveis de US$ 84.000 (cima) e US$ 82.200 (baixo) definem o próximo movimento. Conteúdo educacional, não é recomendação de investimento.
LP Crypto · Consultoria para ativos digitais · em
parceria com Genesis Club · lpcrypto.com.br
Relatório gerado com dados de mercado de 12/10/2026, complementados via
AP, Reuters, Bloomberg, Glassnode, CryptoQuant, CoinGlass, DefiLlama,
Farside Investors e a Live de Domingo (11/10). Conteúdo de caráter
educacional e informativo.
Não constitui recomendação, oferta ou solicitação de compra ou venda
de qualquer ativo.
Rentabilidade passada não representa garantia de resultado futuro.
Ativos digitais envolvem risco elevado, incluindo a perda total do
capital investido. Avalie seus objetivos, sua situação financeira e seu
perfil de risco antes de investir.