O preço se recuperou, mas quem o sustenta ainda não está comprando
Por Luísa Pires · Publicado em
A inflação voltou quente, o Fed voltou a ser pergunta aberta e o Nasdaq teve a pior semana desde junho. No meio disso o Bitcoin recuperou os US$ 82 mil — mas quem comprou há pouco ainda vende no prejuízo.
Nesta edição
- 01Semana pela frente
- 02Macro
- 2.1Cotações de referência
- 2.2Inflação quente e Fed em modo de alta
- 2.3Petróleo e Treasuries
- 2.4Bolsa de poucos: o peso da IA
- 2.5Ouro e Europa
- 2.6Brasil no radar
- 03Institucional
- 04Bitcoin
- 05Altcoins
- 06Ativos tradicionais
- 07Review performático
- 08Notícias relevantes
- 09Destaque da semana
- 10On-chain
- 11Indicador técnico
Balanços de Meta e Tesla (quarta, 21/10) · PMIs de indústria e serviços (sexta, 23/10) · o comportamento dos Treasuries. O Fed está em silêncio até o FOMC de 27 e 28 de outubro, então quem dá o tom são os juros longos e a narrativa de inteligência artificial, depois da queda forte dos chips na semana passada. Não há um dado único que decida tudo: a semana vira em três frentes.
Semana pela frente
Agenda cripto · 19 a 23 outA semana não tem um dado único que decida tudo. Ela vira em três frentes: os PMIs de sexta, os balanços das Big Techs (Meta e Tesla na quarta) e o comportamento dos Treasuries. O Fed está em silêncio até o FOMC de 27 e 28 de outubro, então quem dá o tom são os juros longos e a narrativa de inteligência artificial depois da forte queda dos chips na semana passada.
11:00
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- Cripto no radar: o CLARITY Act segue parado no Senado, SEC e CFTC avançam nas regras, e há unlocks de ZRO, AVAX, XPL e outros tokens. Upgrade da Filecoin hoje (19/10), a Kraken retira tokens menores em 23/10 e a Coinbase encerra USDT e DAI em 30/10.
- Fed em silêncio: o último discurso foi o de Kevin Warsh na sexta, sem pista sobre outubro. O FOMC é em 27 e 28 de outubro, com a decisão no dia 28.
A semana gira em torno de PMIs, Big Techs e Treasuries. Com Meta e Tesla reportando, a narrativa de IA volta ao centro. O Bitcoin chega com preço perto de US$ 82,4 mil, recuperando a faixa de US$ 82 mil, mas com os indicadores on-chain ainda em modo defensivo. O mercado precisa de dinheiro novo, e o balanço das Big Techs e o FOMC de 28/10 são os gatilhos.
Macro
Panorama global · 19/102.1Cotações de referência
| Mercado | Nível | Variação |
|---|---|---|
| S&P 500 fech. 16/10 | 7.659,44 | −1,1% · semana −2,0% |
| Nasdaq Composite fech. | 26.140,03 | −2,1% · semana −4,5% |
| Dow Jones fech. | 52.002,41 | −0,3% |
| Nasdaq 100 futuro 19/10 | 29.702,50 | +1,1% |
| Treasury 10 anos | 5,08% | +0,01 p.p. · pico de 5,33% |
| Brent futuro | US$ 108,62 | −1,1% |
| WTI fech. | US$ 101,41 | +3,5% |
| Ouro fech. | US$ 4.168 | −0,7% na semana |
| Kospi / CAC 40 19/10 | 5.768,01 / 7.840,64 | +1,8% / −1,5% |
| Bitcoin Bloomberg | US$ 82.150 | +1,6% em 24h |
Fechamentos de sexta (AP e CNBC, conforme reproduzidos pela Live de Domingo). Os níveis de segunda são do boletim da Bloomberg, às 06h36 ET, e podem ter atraso do provedor. O Brent aparece em duas leituras: US$ 109,86 é o fechamento de sexta e US$ 108,62 é o futuro de hoje. A cor indica o sinal do número, não se a notícia é boa: a alta do WTI aparece em menta por ser variação positiva, embora petróleo caro pressione a inflação.
2.2Inflação quente e Fed em modo de alta
Os dois números da semana passada eram de inflação, e ambos vieram quentes. O CPI de setembro subiu 0,6% no mês, em linha com o esperado. O PPI, a inflação ao produtor, que costuma chegar ao consumidor depois, foi para 6,3% em 12 meses, o maior nível desde dezembro de 2022.
Os preços de importação subiram 1,1% no mês e 8,1% em 12 meses. Ao mesmo tempo, a expectativa de inflação de 12 meses da Universidade de Michigan está em 4,7%. Com isso, o Fed, que já subiu os juros em setembro para 3,75% a 4,00%, passa a ser uma pergunta aberta. O Treasury de 10 anos chegou a 5,33% depois do CPI e fechou perto de 5,1%. Kevin Warsh falou na sexta e não deu sinal sobre outubro.
A curva de juros ajuda a entender o cenário. A diferença entre o título de 30 anos e o de 3 meses está perto de +1 ponto percentual, positiva, mas por causa dos juros longos subindo, não dos curtos caindo. É uma curva que sinaliza prêmio de risco maior, não um ciclo de afrouxamento. A leitura de +1 p.p. é visual, a partir do gráfico do FRED.
2.3Petróleo e Treasuries
O petróleo voltou a pressionar. O Brent fechou sexta em US$ 109,86 (+3,7% no dia e +10% na semana), com novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz e o fim do cessar-fogo de energia da Ucrânia. A liberação de 20 milhões de barris pela AIE não bastou. Em Ormuz, a Live de Domingo mostra apenas 2 travessias, contra uma média de 85 antes da crise (dado de 11/10). A cadeia é a mesma de sempre: petróleo sobe, inflação sobe, o Fed fica mais duro, e os ativos de risco sentem.
O dado novo é que os Treasuries começam a recuperar o papel de refúgio. Com a bolsa em queda, analistas da State Street dizem que, num episódio maior de aversão a risco ligado à IA, os Treasuries parecem capazes de oferecer o hedge que faltou nos últimos anos. Isso importa porque, se o refúgio for a renda fixa e não o cripto, o Bitcoin continua sendo tratado como ativo de risco.
2.4Bolsa de poucos: o peso da IA
A semana passada mudou o humor. Antes de quarta, o S&P 500 tinha ficado 53 pregões sem queda de 1%, a maior sequência desde janeiro de 2020. Depois, caiu mais de 1% na quarta e na sexta, e a volatilidade esperada saltou. O Nasdaq perdeu 4,5% na semana, a pior desde junho. A CoreWeave caiu 11,9% na sexta, a Micron 5,6% e a Intel 5,8%, e os chips somaram oito pregões seguidos de queda. Hoje há alívio: os futuros do Nasdaq 100 sobem 1,1%, com Nvidia +1,5% e Broadcom +2,4% no pré-mercado, mas a dúvida sobre o financiamento da IA continua.
Do lado do dinheiro, os ETFs de ações dos EUA captaram US$ 1,4 trilhão em 12 meses, com os fundos de tecnologia recebendo US$ 65 bilhões e os defensivos US$ 25 bilhões. Quando o fluxo é tão grande, uma reversão pesa. A Apollo estima retorno esperado do S&P 500 de apenas cerca de 4% ao ano nos próximos 10 anos, dado o múltiplo atual, com R² de 0,73.
Os balanços da semana dizem se o investimento em IA se paga. O consenso é: Netflix, lucro por ação de US$ 0,82 e receita de US$ 12,9 bilhões, com a ação caindo 24,7% no ano; Meta, US$ 5,94 e US$ 63,35 bilhões; Tesla, US$ 0,45 e US$ 28,11 bilhões. Microsoft, Apple, Amazon, Nvidia e Alphabet não reportam esta semana, então Meta e Tesla carregam o foco.
2.5Ouro e Europa
O ouro fechou a semana em US$ 4.168, com queda de 0,7%. A máxima histórica foi de US$ 5.595, em fevereiro de 2026. O modelo da Fidelity que liga o ouro à liquidez global aponta cerca de US$ 4.968, ou seja, o metal está abaixo do que a liquidez sugeriria. Isso não é previsão, é uma régua: a liquidez em expansão sustentaria preços maiores.
Na Europa, a França voltou ao centro. Depois de um fim de semana de protestos violentos, o juro de 10 anos subiu 8 pontos-base para 4,88%, entre os maiores da Europa Ocidental, e o prêmio sobre o bund alemão aumentou. O CAC 40 cai 3,7% no ano, contra alta de 8,1% do Stoxx Europe 600. Com a dívida alta e o orçamento de 2027 pela frente, o governo tem pouca margem, e o CAC é o pior índice europeu hoje (−1,5%).
2.6Brasil no radar
O Ibovespa fechou sexta em 205.430 pontos (−0,54% no dia), com queda de 1,7% na semana depois do recorde. Em outubro ainda sobe 10,2% e, em 2026, 27,5%. O dólar fechou em R$ 5,07 (+0,28%). Os juros futuros subiram: o DI 2029 foi de 12,23% para 12,69% (+45 pontos-base) e o DI 2031 de 12,32% para 12,72% (+40). O IBC-Br de agosto avançou 0,30% no mês e 0,6% no trimestre móvel. Vale ver a Petrobras: PETR4 subiu 5,75% na semana com o petróleo.
Em linguagem simples: juro longo mais alto encarece o crédito e pesa na bolsa, e o real mais fraco é uma ponta do mesmo movimento global, de petróleo e Treasuries mais altos. Depois de um mês de recordes, a pausa é natural.
Inflação quente, crédito caro, e a IA sem dinheiro barato
O ponto central é o encadeamento: inflação quente leva o Fed a considerar alta, a IA fica sem crédito barato e o Bitcoin segue sem dinheiro novo. O gatilho está nos próximos dias: balanço de Meta e Tesla, PMIs de sexta e o FOMC de 28/10.
Enquanto isso, o mercado precisa de um Treasury de 10 anos que pare de subir.
Institucional
Fluxo institucionalOs ETFs de Bitcoin saem menos, mas ainda saem: de 12 a 16/10, os ETFs spot perderam cerca de US$ 228 milhões, contra US$ 680 milhões na semana anterior. Em ritmo, melhorou; em direção, ainda é saída.
- ETH e SOL seguem fracos: os ETFs de Ethereum perderam US$ 320 milhões na semana e US$ 955 milhões em outubro (até 16/10), com 10 pregões seguidos de saída. Os de Solana perderam US$ 55 milhões em outubro.
- Tesouraria cripto de novo: a Evernorth (XRPN) estreou na Nasdaq com 473 milhões de XRP e US$ 300 milhões captados. A Strive (SATS) precificou 7 milhões de ações preferenciais a US$ 90, somando US$ 630 milhões para comprar Bitcoin.
- Bancos entrando na infraestrutura: o Deutsche Bank planeja custódia de BTC e ETH na Alemanha, e o Standard Chartered lançou custódia de RLUSD.
- Regulação: a Coreia do Sul bloqueou 27 sites de corretoras sem registro, entre eles KuCoin, MEXC, Phemex e BitMart. Nos EUA, o CLARITY Act segue parado no Senado.
A torneira dos ETFs ainda está fechada para o Bitcoin, só que menos. Enquanto isso, o dinheiro institucional aparece em estruturas de tesouraria (Strive, Evernorth) e em custódia bancária, que é infraestrutura, não demanda de preço imediata. Para a leitura melhorar, precisamos ver fluxo líquido positivo de ETF por vários dias.
Bitcoin
Ativo baseA semana teve máxima em US$ 84,3 mil e mínima perto de US$ 79,7 mil, com rejeição clara em US$ 87 mil. O preço fechou o domingo em torno de US$ 82 mil e hoje, às 08h, negocia perto de US$ 82.436, com a média de 200 períodos do gráfico de 1 hora, em US$ 82.395, sendo testada.
- A queda semanal depende da janela: −2,5% pela vela semanal da Live, e de −0,4% a −1,5% em outras janelas. A dominância do Bitcoin está em 60,1%, 86 das 100 maiores moedas caíram na semana, e o valor de mercado total é de cerca de US$ 2,7 trilhões.
- Tendência de longo prazo intacta, com ressalvas: pela lei de potência da Fidelity, a linha de suporte do Bitcoin está em US$ 56,5 mil. O z-score da razão BTC/ouro em 52 semanas está em +17%, positivo, mas sem esticar. É régua, não previsão.
- Mineradores sob pressão suave: o custo médio por Bitcoin foi de US$ 59.774 (MARA, 2T/2026), bem abaixo do preço. O hash rate sobe há dois meses, depois de nove meses de queda, sinal de que a rede voltou a crescer.
- MVRV em zona de acumulação: o percentil do MVRV no ciclo atual está abaixo de 30%, região historicamente de acumulação. Isso diz que o preço não está esticado em relação ao custo dos holders, e é um dado de fundo, não de timing.
- Volume ainda baixo: a média de sete dias, somando spot e ETFs, está em US$ 6,8 bilhões por dia. Em nove de cada dez dias desde janeiro de 2024 o volume foi maior, e não houve um dia de volume normal desde 22/09.
- Dinheiro novo contra giro de moedas: nos últimos 30 dias entraram US$ 4,9 bilhões de dinheiro novo (ETFs, stablecoins e tesourarias), contra um aumento de US$ 12,8 bilhões na capitalização realizada. Cerca de 62% é moeda trocando de mãos a preço mais alto, não capital entrando.
Altcoins
Rotação de mercadoSemana de vermelho nas grandes. Até quinta, todas as majors estavam no negativo, com SOL perto de −10% e BTC abaixo de −2%. No fechamento de domingo, o ETH ficou em −3,6%, o SOL em −5,2% e o BTC em −2,5%. XMR e TRX seguraram melhor.
- Quem foi contra a maré: BTW subiu 50%, com máxima de US$ 2,70 e a sétima semana seguida de recorde. PRL subiu 30%, com máxima de US$ 2,10 em 14/10. XMR subiu 6% e rompeu US$ 565, com US$ 600 como próxima referência. Do outro lado, THEO caiu 92% com suspeita de exploração de bridge.
- Cuidado com altas de 50%: saem de preço baixo e pouca liquidez, então são volatilidade, não tendência. Vale checar a liquidez antes de tratar como sinal. O caso da THEO mostra o lado oposto do mesmo risco.
- Altcoins em lucro: a mediana das 500 maiores moedas em lucro foi de 3% para 23% em seis semanas, recuperação rápida, mas o patamar de 50% é o que marca uma recuperação ampla. Ainda estamos longe.
- Ethereum (ETH): em US$ 2.425, abaixo da média de 200 períodos (US$ 2.458) no gráfico de 1 hora, com suporte em US$ 2.400 e resistência em US$ 2.435 a 2.450. Detalhe na seção 11.
- Calendário de liquidez: a Kraken retira tokens menores em 23/10 e a Coinbase encerra USDT e DAI em 30/10. Há unlocks de ZRO, AVAX e XPL na semana.
Ativos tradicionais
Correlação cross-asset- Wall Street: S&P 500 fechou sexta em 7.659,44 (−1,1%), Nasdaq em 26.140,03 (−2,1%) e Dow Jones em 52.002,41 (−0,3%). O Nasdaq perdeu 4,5% na semana, a pior desde junho. Só energia e o Dow seguraram.
- Hoje: Nasdaq 100 futuro em alta de 1,1% (29.702,50), com os chips em alívio no pré-mercado: Nvidia +1,5%, Broadcom +2,4%, AMD +2,7% e Intel +4,2% depois de upgrade do JPMorgan.
- Juros: Treasury de 10 anos em 5,08%, depois do pico de 5,33% pós-CPI. No Brasil, DI 2029 em 12,69% e DI 2031 em 12,72%.
- Petróleo: Brent em US$ 108,62 no futuro (−1,1%), depois do fechamento de US$ 109,86 de sexta. WTI em US$ 101,41.
- Ouro: US$ 4.168, abaixo dos US$ 5.595 da máxima de fevereiro.
- Brasil: Ibovespa em 205.430 pontos (−1,7% na semana) e dólar em R$ 5,07. O USDT negocia em R$ 5,0577 na corretora do gráfico técnico.
- Europa: CAC 40 em 7.840,64 (−1,5%) e juro francês de 10 anos em 4,88%.
Review performático
Fechamento vs. aberturaO quadro compara a abertura da Crypto Week passada, de 12/10, com a desta semana, em 19/10.
| Indicador | 12/10 | 19/10 | Variação |
|---|---|---|---|
| Bitcoin (BTC) | US$ 83.438 | US$ 82.436 | −1,2% |
| Ethereum (ETH) | US$ 2.553 | US$ 2.425 | −5,0% |
| Dólar digital (USDT/BRL) | R$ 5,0223 | R$ 5,0577 | +0,7% |
| S&P 500 | 7.811,54 | 7.659,44 | −1,9% |
| Treasury 10 anos | 5,24% | 5,08% | −16 p.b. |
| Brent | US$ 105,60 | US$ 108,62 | +2,9% |
Em 19/10: BTC, ETH e USDT/BRL do gráfico técnico (08h); S&P 500 no fechamento de sexta; Treasury e Brent no boletim da Bloomberg (06h36 ET, Brent futuro).
Desta vez o cripto e a bolsa caíram juntos, o que contraria a semana anterior. O S&P 500 perdeu 1,9% e o Bitcoin 1,2%, bem menos que o Nasdaq. O Ethereum, de novo, foi o pior, com −5,0%, confirmando o beta alto. O dólar digital subiu 0,7% com o real mais fraco. A leitura da semana passada, de que o CPI era o gatilho, se confirmou: a inflação quente pressionou juros, e o Bitcoin segurou melhor que a bolsa de tecnologia, mas não subiu.
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Notícias relevantes
Rodada da semana| Notícia | Fonte | Comentário |
|---|---|---|
| Nasdaq cai 4,5% na semana, a pior desde junho; CoreWeave recua 11,9% na sexta. | AP, CNBC e Live de Domingo | Dúvida sobre o financiamento da IA. Os futuros reagem hoje (+1,1%). |
| PPI de 6,3% em 12 meses é o maior desde dez/2022; CPI sobe 0,6% no mês. | BLS e Live de Domingo | Fed em modo de alta: dezembro é o jogo principal. |
| Brent fecha em US$ 109,86 (+10% na semana) com ataques em Ormuz. | CNBC e AP | Petróleo mais caro realimenta inflação e juros. |
| França: protestos violentos, juro de 10 anos em 4,88% e CAC 40 como pior índice europeu. | Bloomberg | Risco fiscal europeu entra na conta dos juros globais. |
| Nscale encontra resistência à avaliação de US$ 30 bilhões em IPO. | Bloomberg | Apetite por IA mais seletivo. |
| Evernorth (XRPN) estreia na Nasdaq; Strive (SATS) capta US$ 630 milhões para comprar Bitcoin. | Live de Domingo | Tesourarias cripto voltam a captar, mesmo com os ETFs saindo. |
| Deutsche Bank planeja custódia de BTC e ETH; Standard Chartered lança custódia de RLUSD. | Live de Domingo | Bancos tradicionais ampliam a infraestrutura. |
| Coreia do Sul bloqueia 27 sites de corretoras sem registro. | Live de Domingo | Pressão regulatória sobre corretoras offshore. |
| Kraken retira tokens menores (23/10) e Coinbase encerra USDT e DAI (30/10). | Live de Domingo | Calendário de risco de liquidez em microcaps. |
O preço se recuperou, mas quem o sustenta ainda não está comprando
O dado mais importante é a divergência. O Bitcoin voltou a US$ 82,4 mil e testa a média de 200 períodos, mas o STH-SOPR, que mede se os compradores recentes vendem com lucro ou prejuízo, está em 0,9982 e ficou abaixo de 1 em cinco dos últimos sete dias. Ou seja, quem comprou há pouco está vendendo no prejuízo.
Três sinais reforçam a cautela: as corretoras voltaram a receber moeda, com netflow de +8.428 BTC entre 11 e 17/10 contra −5.285 BTC na semana anterior; as stablecoins encolheram 0,51% em sete dias; e o volume de futuros é cerca de 11 vezes o do spot. Do lado positivo, o fluxo dos ETFs melhorou e as baleias mantêm mais de 3,02 milhões de BTC. A leitura é de estabilização, mais do que de retomada clara da demanda. Para ficar construtivo precisamos de STH-SOPR acima de 1, netflow consistentemente negativo e expansão das stablecoins. Até lá, o preço fica refém de Meta, Tesla, dos PMIs e do FOMC de 28/10.
On-chain
Fundamentos da redeLeitura de 19/10, últimas 24 horas: BTC em torno de US$ 82,4 mil. Sinal do dia: defensivo. O preço reage, mas os indicadores de venda, fluxo e liquidez ainda não confirmam.
10.1Compradores recentes no prejuízo
Segundo a CryptoQuant, o STH-SOPR está em 0,9982, abaixo de 1 em cinco dos últimos sete dias. Pela Glassnode, o MVRV de uma semana a um mês está em 0,978 e o de um dia a uma semana em 0,999: quem comprou nas últimas semanas está, em média, no zero a zero ou ligeiramente no prejuízo. O SOPR agregado da Glassnode está em 1,019.
10.2Corretoras: o netflow virou
O netflow mede a diferença entre moedas que entram e saem das corretoras. Entrada em excesso indica potencial de venda. Entre 4 e 10/10, saíram 5.285 BTC, movimento positivo, de retirada para custódia própria. Entre 11 e 17/10, o fluxo virou e entraram 8.428 BTC. Em 18/10, o dado preliminar mostra saída de 485 BTC, sem confirmação. As grandes transferências de 18/10 foram de saída líquida: 425 BTC na faixa de US$ 100 mil a 1 milhão, 644 BTC na de 1 a 10 milhões e 270 BTC acima de 10 milhões.
10.3Alavancagem e demanda spot
Na CoinGlass, o open interest está em US$ 53,4 bilhões, o volume de futuros em US$ 47,3 bilhões nas últimas 24 horas e o volume spot em apenas US$ 4,1 bilhões: os futuros são mais de 11 vezes o spot. A média do open interest caiu 1,61% na semana, e o funding segue positivo, ou seja, quem está comprado paga para manter a posição. Alavancagem alta com spot fraco deixa o preço sensível a liquidações.
10.4Liquidez em stablecoins
A DefiLlama mostra US$ 302,31 bilhões em stablecoins: −0,02% em 24 horas, −0,51% em sete dias e +0,35% em 30 dias. O USDT soma US$ 183,44 bilhões e o USDC, US$ 72,58 bilhões. É a segunda semana de contração, o que enfraquece a tese de entrada imediata de dinheiro novo em cripto.
O que o mercado não está enxergando?
A discussão do mercado é se o Bitcoin vai romper US$ 83 mil depois da recuperação de domingo. O que fica menos visível é que a recuperação veio com vendas no prejuízo, retorno de moeda às corretoras e stablecoins encolhendo. O preço sobe, mas quem o sustenta ainda não está comprando. Se Meta e Tesla reacenderem a narrativa de IA, o mercado pode ganhar tempo, mas a confirmação on-chain precisa vir junto.
Estabilização, não retomada
Preço: recuperou US$ 82 mil (positivo). STH-SOPR: abaixo de 1 (atenção). Netflow: voltou a entrada (atenção). Stablecoins: contração (cautela).
Para virar construtivo, precisamos de STH-SOPR acima de 1, netflow consistentemente negativo e expansão de stablecoins. Enquanto isso, a alta de preço deve ser tratada com cautela: depende de gatilho externo, e não de compra orgânica.
Indicador técnico
Análise técnica · gráfico 1h11.1Suportes e resistências
| Ativo | Preço | Suportes | Resistências | RSI (14) |
|---|---|---|---|---|
| BTC/USDT US$ | 82.436 | 81.800–82.000 · 80.686 · 80.000 | 82.700–83.000 · 83.500 · 84.000 | ~56 |
| ETH/USDT US$ | 2.425 | 2.400 · 2.375 · 2.350 | 2.435–2.450 · 2.460–2.475 · 2.500 | ~56 |
| USDT/BRL R$ | 5,0577 | 5,04–5,03 · 5,00 · 4,98 | 5,07–5,08 · 5,10 · 5,1395 | ~42 |
Suportes e resistências do mais próximo ao mais distante. Leitura do gráfico de 1 hora em 19/10, às 07h39.
11.2Bitcoin (BTC/USDT)
Gráfico de 1 hora na OKX, com MA Ribbon de 9, 21, 100 e 200 períodos e RSI de 14, às 07h39.
- Leitura: o BTC está acima da média de 100 períodos e testa a de 200, em torno de US$ 82.400. O RSI em torno de 56 mostra força moderada, sem sobrecompra.
- Cenário de alta: rompendo US$ 83.000, abre espaço para US$ 83.500 e US$ 84.000.
- Cenário de baixa: perdendo US$ 81.800, volta a testar US$ 80.686, com US$ 80.000 abaixo.
11.3Ethereum (ETH/USDT)
Gráfico de 1 hora na Binance, mesmas médias e RSI, às 07h39.
- Leitura: o ETH sustenta a região de US$ 2.400 e tenta recuperar a média de 200 períodos, em torno de US$ 2.458. RSI perto de 56, positivo.
- Cenário de alta: segurando US$ 2.400, a recuperação continua válida. Rompendo US$ 2.450 a 2.475, abre caminho para US$ 2.500.
- Cenário de baixa: perdendo US$ 2.400, aumenta o risco de voltar para US$ 2.375 e US$ 2.350.
11.4Dólar digital (USDT/BRL)
Gráfico de 1 hora na Binance, mesmas médias e RSI, às 07h40.
- Leitura: o USDT/BRL perdeu força depois da queda do fim de semana, com RSI em torno de 42. O preço está abaixo de R$ 5,08, o que mantém o viés fraco.
- Cenário de baixa: abaixo de R$ 5,08 o viés segue fraco. Perdendo R$ 5,03, testa R$ 5,00.
- Cenário de alta: recuperando R$ 5,08, mira R$ 5,10 e R$ 5,1395.
O Bitcoin testa a média de 200 períodos perto de US$ 82.400, com resistência em US$ 83.000 e suporte em US$ 81.800. O Ethereum precisa segurar US$ 2.400 para manter a recuperação válida, e rompe a região de US$ 2.450 a 2.475 para buscar US$ 2.500. O dólar digital segue com viés fraco abaixo de R$ 5,08.
Com Meta, Tesla e os PMIs pela frente, os níveis de US$ 83.000 para cima e US$ 81.800 para baixo definem o próximo movimento. Conteúdo educacional, não é recomendação de investimento.
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Relatório gerado com dados de mercado de 19/10/2026, complementados via AP,
CNBC, Bloomberg, Reuters, Glassnode, CryptoQuant, CoinGlass, DefiLlama,
Farside Investors e a Live de Domingo (18/10). Conteúdo de caráter educacional
e informativo.
Não constitui recomendação, oferta ou solicitação de compra ou venda
de qualquer ativo.
Rentabilidade passada não representa garantia de resultado futuro.
Ativos digitais envolvem risco elevado, incluindo a perda total do
capital investido. Avalie seus objetivos, sua situação financeira e seu
perfil de risco antes de investir.