CryptoWeek #012 · Semana 43 de 2026

O preço se recuperou, mas quem o sustenta ainda não está comprando

Por Luísa Pires · Publicado em

A inflação voltou quente, o Fed voltou a ser pergunta aberta e o Nasdaq teve a pior semana desde junho. No meio disso o Bitcoin recuperou os US$ 82 mil — mas quem comprou há pouco ainda vende no prejuízo.

Nesta edição

  1. 01Semana pela frente
  2. 02Macro
  3. 2.1Cotações de referência
  4. 2.2Inflação quente e Fed em modo de alta
  5. 2.3Petróleo e Treasuries
  6. 2.4Bolsa de poucos: o peso da IA
  7. 2.5Ouro e Europa
  8. 2.6Brasil no radar
  9. 03Institucional
  10. 04Bitcoin
  11. 05Altcoins
  12. 06Ativos tradicionais
  13. 07Review performático
  14. 08Notícias relevantes
  15. 09Destaque da semana
  16. 10On-chain
  17. 11Indicador técnico
O que decide a semana

Balanços de Meta e Tesla (quarta, 21/10) · PMIs de indústria e serviços (sexta, 23/10) · o comportamento dos Treasuries. O Fed está em silêncio até o FOMC de 27 e 28 de outubro, então quem dá o tom são os juros longos e a narrativa de inteligência artificial, depois da queda forte dos chips na semana passada. Não há um dado único que decida tudo: a semana vira em três frentes.

01

Semana pela frente

Agenda cripto · 19 a 23 out

A semana não tem um dado único que decida tudo. Ela vira em três frentes: os PMIs de sexta, os balanços das Big Techs (Meta e Tesla na quarta) e o comportamento dos Treasuries. O Fed está em silêncio até o FOMC de 27 e 28 de outubro, então quem dá o tom são os juros longos e a narrativa de inteligência artificial depois da forte queda dos chips na semana passada.

Segunda19/10
11:00
Índice NAHB do mercado imobiliário
Agenda leve. O mercado olha juros, petróleo e balanços.
Terça20/10
09:30
11:00
Housing starts e permits · vendas pendentes de imóveis · balanços de Netflix, GE, GM e SpaceX
Mostram se o setor imobiliário segue sem tração com juros altos. A Netflix abre o teste de consumo.
Quarta21/10
14:00
Leilão de Treasuries de 20 anos · balanços de META e TESLA, IBM, Texas Instruments e SAP
Principal dia de tecnologia e guidance de IA. O leilão mede a fome por dívida longa com o juro de 10 anos perto de 5,1%.
Quinta22/10
09:30
11:00
Pedidos de seguro-desemprego · índice de indicadores antecedentes · balanços de P&G, Blackstone, Lockheed Martin e Honeywell
Mercado de trabalho e crédito privado, com a Blackstone como termômetro do segundo.
Sexta23/10
10:45
11:00
PMIs de indústria e serviços (S&P Global) · sentimento da Universidade de Michigan · balanço da American Express
Principal dia macro. Michigan traz a expectativa de inflação, hoje em 4,7%.
  • Cripto no radar: o CLARITY Act segue parado no Senado, SEC e CFTC avançam nas regras, e há unlocks de ZRO, AVAX, XPL e outros tokens. Upgrade da Filecoin hoje (19/10), a Kraken retira tokens menores em 23/10 e a Coinbase encerra USDT e DAI em 30/10.
  • Fed em silêncio: o último discurso foi o de Kevin Warsh na sexta, sem pista sobre outubro. O FOMC é em 27 e 28 de outubro, com a decisão no dia 28.
Resumo LP

A semana gira em torno de PMIs, Big Techs e Treasuries. Com Meta e Tesla reportando, a narrativa de IA volta ao centro. O Bitcoin chega com preço perto de US$ 82,4 mil, recuperando a faixa de US$ 82 mil, mas com os indicadores on-chain ainda em modo defensivo. O mercado precisa de dinheiro novo, e o balanço das Big Techs e o FOMC de 28/10 são os gatilhos.

02

Macro

Panorama global · 19/10

2.1Cotações de referência

Mercado Nível Variação
S&P 500 fech. 16/107.659,44−1,1% · semana −2,0%
Nasdaq Composite fech.26.140,03−2,1% · semana −4,5%
Dow Jones fech.52.002,41−0,3%
Nasdaq 100 futuro 19/1029.702,50+1,1%
Treasury 10 anos5,08%+0,01 p.p. · pico de 5,33%
Brent futuroUS$ 108,62−1,1%
WTI fech.US$ 101,41+3,5%
Ouro fech.US$ 4.168−0,7% na semana
Kospi / CAC 40 19/105.768,01 / 7.840,64+1,8% / −1,5%
Bitcoin BloombergUS$ 82.150+1,6% em 24h

Fechamentos de sexta (AP e CNBC, conforme reproduzidos pela Live de Domingo). Os níveis de segunda são do boletim da Bloomberg, às 06h36 ET, e podem ter atraso do provedor. O Brent aparece em duas leituras: US$ 109,86 é o fechamento de sexta e US$ 108,62 é o futuro de hoje. A cor indica o sinal do número, não se a notícia é boa: a alta do WTI aparece em menta por ser variação positiva, embora petróleo caro pressione a inflação.

2.2Inflação quente e Fed em modo de alta

Os dois números da semana passada eram de inflação, e ambos vieram quentes. O CPI de setembro subiu 0,6% no mês, em linha com o esperado. O PPI, a inflação ao produtor, que costuma chegar ao consumidor depois, foi para 6,3% em 12 meses, o maior nível desde dezembro de 2022.

Os preços de importação subiram 1,1% no mês e 8,1% em 12 meses. Ao mesmo tempo, a expectativa de inflação de 12 meses da Universidade de Michigan está em 4,7%. Com isso, o Fed, que já subiu os juros em setembro para 3,75% a 4,00%, passa a ser uma pergunta aberta. O Treasury de 10 anos chegou a 5,33% depois do CPI e fechou perto de 5,1%. Kevin Warsh falou na sexta e não deu sinal sobre outubro.

As fontes não concordam sobre outubro, e concordam sobre dezembro Probabilidade precificada de nova alta de juros · faixa entre fontes
FOMC de 28/10 17% a 34% FOMC de dezembro 63% a 89% 0% 50% 100%
A barra é a faixa entre fontes, não uma estimativa única: para outubro, JM marca 17% e a CME 33,8% depois do PPI; para dezembro, AP marca 74,3% e JM 89%. Use como ordem de grandeza — outubro é incerto e dezembro é o jogo principal. Barras em cor de estrutura porque são níveis, não variações.

A curva de juros ajuda a entender o cenário. A diferença entre o título de 30 anos e o de 3 meses está perto de +1 ponto percentual, positiva, mas por causa dos juros longos subindo, não dos curtos caindo. É uma curva que sinaliza prêmio de risco maior, não um ciclo de afrouxamento. A leitura de +1 p.p. é visual, a partir do gráfico do FRED.

2.3Petróleo e Treasuries

O petróleo voltou a pressionar. O Brent fechou sexta em US$ 109,86 (+3,7% no dia e +10% na semana), com novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz e o fim do cessar-fogo de energia da Ucrânia. A liberação de 20 milhões de barris pela AIE não bastou. Em Ormuz, a Live de Domingo mostra apenas 2 travessias, contra uma média de 85 antes da crise (dado de 11/10). A cadeia é a mesma de sempre: petróleo sobe, inflação sobe, o Fed fica mais duro, e os ativos de risco sentem.

O dado novo é que os Treasuries começam a recuperar o papel de refúgio. Com a bolsa em queda, analistas da State Street dizem que, num episódio maior de aversão a risco ligado à IA, os Treasuries parecem capazes de oferecer o hedge que faltou nos últimos anos. Isso importa porque, se o refúgio for a renda fixa e não o cripto, o Bitcoin continua sendo tratado como ativo de risco.

2.4Bolsa de poucos: o peso da IA

A semana passada mudou o humor. Antes de quarta, o S&P 500 tinha ficado 53 pregões sem queda de 1%, a maior sequência desde janeiro de 2020. Depois, caiu mais de 1% na quarta e na sexta, e a volatilidade esperada saltou. O Nasdaq perdeu 4,5% na semana, a pior desde junho. A CoreWeave caiu 11,9% na sexta, a Micron 5,6% e a Intel 5,8%, e os chips somaram oito pregões seguidos de queda. Hoje há alívio: os futuros do Nasdaq 100 sobem 1,1%, com Nvidia +1,5% e Broadcom +2,4% no pré-mercado, mas a dúvida sobre o financiamento da IA continua.

Os Estados Unidos importam a infraestrutura da IA em escala de crise de petróleo Déficit comercial americano · % do PIB
Chips e hardware de IA 1,7% · US$ 546 bi Máquinas e equipamentos 1,4%
O déficit em chips e hardware de IA já chega a US$ 546 bilhões, acima do que o país gasta a mais em máquinas e equipamentos. Em outras palavras, a IA virou a maior conta de importação dos Estados Unidos. Barras em cor de estrutura porque são níveis, não variações. Fonte: Visual Capitalist.

Do lado do dinheiro, os ETFs de ações dos EUA captaram US$ 1,4 trilhão em 12 meses, com os fundos de tecnologia recebendo US$ 65 bilhões e os defensivos US$ 25 bilhões. Quando o fluxo é tão grande, uma reversão pesa. A Apollo estima retorno esperado do S&P 500 de apenas cerca de 4% ao ano nos próximos 10 anos, dado o múltiplo atual, com R² de 0,73.

Os balanços da semana dizem se o investimento em IA se paga. O consenso é: Netflix, lucro por ação de US$ 0,82 e receita de US$ 12,9 bilhões, com a ação caindo 24,7% no ano; Meta, US$ 5,94 e US$ 63,35 bilhões; Tesla, US$ 0,45 e US$ 28,11 bilhões. Microsoft, Apple, Amazon, Nvidia e Alphabet não reportam esta semana, então Meta e Tesla carregam o foco.

2.5Ouro e Europa

O ouro fechou a semana em US$ 4.168, com queda de 0,7%. A máxima histórica foi de US$ 5.595, em fevereiro de 2026. O modelo da Fidelity que liga o ouro à liquidez global aponta cerca de US$ 4.968, ou seja, o metal está abaixo do que a liquidez sugeriria. Isso não é previsão, é uma régua: a liquidez em expansão sustentaria preços maiores.

Na Europa, a França voltou ao centro. Depois de um fim de semana de protestos violentos, o juro de 10 anos subiu 8 pontos-base para 4,88%, entre os maiores da Europa Ocidental, e o prêmio sobre o bund alemão aumentou. O CAC 40 cai 3,7% no ano, contra alta de 8,1% do Stoxx Europe 600. Com a dívida alta e o orçamento de 2027 pela frente, o governo tem pouca margem, e o CAC é o pior índice europeu hoje (−1,5%).

2.6Brasil no radar

O Ibovespa fechou sexta em 205.430 pontos (−0,54% no dia), com queda de 1,7% na semana depois do recorde. Em outubro ainda sobe 10,2% e, em 2026, 27,5%. O dólar fechou em R$ 5,07 (+0,28%). Os juros futuros subiram: o DI 2029 foi de 12,23% para 12,69% (+45 pontos-base) e o DI 2031 de 12,32% para 12,72% (+40). O IBC-Br de agosto avançou 0,30% no mês e 0,6% no trimestre móvel. Vale ver a Petrobras: PETR4 subiu 5,75% na semana com o petróleo.

Em linguagem simples: juro longo mais alto encarece o crédito e pesa na bolsa, e o real mais fraco é uma ponta do mesmo movimento global, de petróleo e Treasuries mais altos. Depois de um mês de recordes, a pausa é natural.

Visão LP

Inflação quente, crédito caro, e a IA sem dinheiro barato

O ponto central é o encadeamento: inflação quente leva o Fed a considerar alta, a IA fica sem crédito barato e o Bitcoin segue sem dinheiro novo. O gatilho está nos próximos dias: balanço de Meta e Tesla, PMIs de sexta e o FOMC de 28/10.

Enquanto isso, o mercado precisa de um Treasury de 10 anos que pare de subir.

03

Institucional

Fluxo institucional

Os ETFs de Bitcoin saem menos, mas ainda saem: de 12 a 16/10, os ETFs spot perderam cerca de US$ 228 milhões, contra US$ 680 milhões na semana anterior. Em ritmo, melhorou; em direção, ainda é saída.

A torneira ainda está fechada, só que menos Fluxo líquido semanal dos ETFs spot de Bitcoin · US$ milhões
Semana de 5 a 9/10 −680 Semana de 12 a 16/10 −228
A saída caiu para um terço da semana anterior, mas continua sendo saída. A quarta (14/10) teve a maior retirada isolada, de US$ 261 milhões, e BlackRock e Fidelity respondem pela maior parte. Fonte: Farside Investors, dados preliminares.
  • ETH e SOL seguem fracos: os ETFs de Ethereum perderam US$ 320 milhões na semana e US$ 955 milhões em outubro (até 16/10), com 10 pregões seguidos de saída. Os de Solana perderam US$ 55 milhões em outubro.
  • Tesouraria cripto de novo: a Evernorth (XRPN) estreou na Nasdaq com 473 milhões de XRP e US$ 300 milhões captados. A Strive (SATS) precificou 7 milhões de ações preferenciais a US$ 90, somando US$ 630 milhões para comprar Bitcoin.
  • Bancos entrando na infraestrutura: o Deutsche Bank planeja custódia de BTC e ETH na Alemanha, e o Standard Chartered lançou custódia de RLUSD.
  • Regulação: a Coreia do Sul bloqueou 27 sites de corretoras sem registro, entre eles KuCoin, MEXC, Phemex e BitMart. Nos EUA, o CLARITY Act segue parado no Senado.
Visão LP

A torneira dos ETFs ainda está fechada para o Bitcoin, só que menos. Enquanto isso, o dinheiro institucional aparece em estruturas de tesouraria (Strive, Evernorth) e em custódia bancária, que é infraestrutura, não demanda de preço imediata. Para a leitura melhorar, precisamos ver fluxo líquido positivo de ETF por vários dias.

04

Bitcoin

Ativo base

A semana teve máxima em US$ 84,3 mil e mínima perto de US$ 79,7 mil, com rejeição clara em US$ 87 mil. O preço fechou o domingo em torno de US$ 82 mil e hoje, às 08h, negocia perto de US$ 82.436, com a média de 200 períodos do gráfico de 1 hora, em US$ 82.395, sendo testada.

Onde o preço reage Níveis do Bitcoin · distância percentual até US$ 82.436
US$ 87.000rejeição +5,5%
US$ 84.300máxima da semana +2,3%
US$ 83.300média de 20 dias +1,0%
US$ 82.436agora —
US$ 81.400média de 50 dias −1,3%
US$ 79.700 a 80.000zona-chave · mínima da semana −3,3%
Do suporte mais distante ao teto rejeitado vão 8,8%, uma faixa bem mais larga que a da semana passada. Fora da escala, bem abaixo: o custo médio de mineração, em US$ 59.774 (base MARA, 2T/2026), é a próxima referência estrutural se a zona de US$ 79,7 a 80 mil ceder. Percentuais calculados sobre US$ 82.436.
  • A queda semanal depende da janela: −2,5% pela vela semanal da Live, e de −0,4% a −1,5% em outras janelas. A dominância do Bitcoin está em 60,1%, 86 das 100 maiores moedas caíram na semana, e o valor de mercado total é de cerca de US$ 2,7 trilhões.
  • Tendência de longo prazo intacta, com ressalvas: pela lei de potência da Fidelity, a linha de suporte do Bitcoin está em US$ 56,5 mil. O z-score da razão BTC/ouro em 52 semanas está em +17%, positivo, mas sem esticar. É régua, não previsão.
  • Mineradores sob pressão suave: o custo médio por Bitcoin foi de US$ 59.774 (MARA, 2T/2026), bem abaixo do preço. O hash rate sobe há dois meses, depois de nove meses de queda, sinal de que a rede voltou a crescer.
  • MVRV em zona de acumulação: o percentil do MVRV no ciclo atual está abaixo de 30%, região historicamente de acumulação. Isso diz que o preço não está esticado em relação ao custo dos holders, e é um dado de fundo, não de timing.
  • Volume ainda baixo: a média de sete dias, somando spot e ETFs, está em US$ 6,8 bilhões por dia. Em nove de cada dez dias desde janeiro de 2024 o volume foi maior, e não houve um dia de volume normal desde 22/09.
  • Dinheiro novo contra giro de moedas: nos últimos 30 dias entraram US$ 4,9 bilhões de dinheiro novo (ETFs, stablecoins e tesourarias), contra um aumento de US$ 12,8 bilhões na capitalização realizada. Cerca de 62% é moeda trocando de mãos a preço mais alto, não capital entrando.
05

Altcoins

Rotação de mercado

Semana de vermelho nas grandes. Até quinta, todas as majors estavam no negativo, com SOL perto de −10% e BTC abaixo de −2%. No fechamento de domingo, o ETH ficou em −3,6%, o SOL em −5,2% e o BTC em −2,5%. XMR e TRX seguraram melhor.

  • Quem foi contra a maré: BTW subiu 50%, com máxima de US$ 2,70 e a sétima semana seguida de recorde. PRL subiu 30%, com máxima de US$ 2,10 em 14/10. XMR subiu 6% e rompeu US$ 565, com US$ 600 como próxima referência. Do outro lado, THEO caiu 92% com suspeita de exploração de bridge.
  • Cuidado com altas de 50%: saem de preço baixo e pouca liquidez, então são volatilidade, não tendência. Vale checar a liquidez antes de tratar como sinal. O caso da THEO mostra o lado oposto do mesmo risco.
  • Altcoins em lucro: a mediana das 500 maiores moedas em lucro foi de 3% para 23% em seis semanas, recuperação rápida, mas o patamar de 50% é o que marca uma recuperação ampla. Ainda estamos longe.
  • Ethereum (ETH): em US$ 2.425, abaixo da média de 200 períodos (US$ 2.458) no gráfico de 1 hora, com suporte em US$ 2.400 e resistência em US$ 2.435 a 2.450. Detalhe na seção 11.
  • Calendário de liquidez: a Kraken retira tokens menores em 23/10 e a Coinbase encerra USDT e DAI em 30/10. Há unlocks de ZRO, AVAX e XPL na semana.
06

Ativos tradicionais

Correlação cross-asset
  • Wall Street: S&P 500 fechou sexta em 7.659,44 (−1,1%), Nasdaq em 26.140,03 (−2,1%) e Dow Jones em 52.002,41 (−0,3%). O Nasdaq perdeu 4,5% na semana, a pior desde junho. Só energia e o Dow seguraram.
  • Hoje: Nasdaq 100 futuro em alta de 1,1% (29.702,50), com os chips em alívio no pré-mercado: Nvidia +1,5%, Broadcom +2,4%, AMD +2,7% e Intel +4,2% depois de upgrade do JPMorgan.
  • Juros: Treasury de 10 anos em 5,08%, depois do pico de 5,33% pós-CPI. No Brasil, DI 2029 em 12,69% e DI 2031 em 12,72%.
  • Petróleo: Brent em US$ 108,62 no futuro (−1,1%), depois do fechamento de US$ 109,86 de sexta. WTI em US$ 101,41.
  • Ouro: US$ 4.168, abaixo dos US$ 5.595 da máxima de fevereiro.
  • Brasil: Ibovespa em 205.430 pontos (−1,7% na semana) e dólar em R$ 5,07. O USDT negocia em R$ 5,0577 na corretora do gráfico técnico.
  • Europa: CAC 40 em 7.840,64 (−1,5%) e juro francês de 10 anos em 4,88%.
07

Review performático

Fechamento vs. abertura

O quadro compara a abertura da Crypto Week passada, de 12/10, com a desta semana, em 19/10.

Indicador 12/10 19/10 Variação
Bitcoin (BTC) US$ 83.438 US$ 82.436 −1,2%
Ethereum (ETH) US$ 2.553 US$ 2.425 −5,0%
Dólar digital (USDT/BRL) R$ 5,0223 R$ 5,0577 +0,7%
S&P 500 7.811,54 7.659,44 −1,9%
Treasury 10 anos 5,24% 5,08% −16 p.b.
Brent US$ 105,60 US$ 108,62 +2,9%

Em 19/10: BTC, ETH e USDT/BRL do gráfico técnico (08h); S&P 500 no fechamento de sexta; Treasury e Brent no boletim da Bloomberg (06h36 ET, Brent futuro).

Desta vez o cripto e a bolsa caíram juntos, o que contraria a semana anterior. O S&P 500 perdeu 1,9% e o Bitcoin 1,2%, bem menos que o Nasdaq. O Ethereum, de novo, foi o pior, com −5,0%, confirmando o beta alto. O dólar digital subiu 0,7% com o real mais fraco. A leitura da semana passada, de que o CPI era o gatilho, se confirmou: a inflação quente pressionou juros, e o Bitcoin segurou melhor que a bolsa de tecnologia, mas não subiu.

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08

Notícias relevantes

Rodada da semana
Notícia Fonte Comentário
Nasdaq cai 4,5% na semana, a pior desde junho; CoreWeave recua 11,9% na sexta. AP, CNBC e Live de Domingo Dúvida sobre o financiamento da IA. Os futuros reagem hoje (+1,1%).
PPI de 6,3% em 12 meses é o maior desde dez/2022; CPI sobe 0,6% no mês. BLS e Live de Domingo Fed em modo de alta: dezembro é o jogo principal.
Brent fecha em US$ 109,86 (+10% na semana) com ataques em Ormuz. CNBC e AP Petróleo mais caro realimenta inflação e juros.
França: protestos violentos, juro de 10 anos em 4,88% e CAC 40 como pior índice europeu. Bloomberg Risco fiscal europeu entra na conta dos juros globais.
Nscale encontra resistência à avaliação de US$ 30 bilhões em IPO. Bloomberg Apetite por IA mais seletivo.
Evernorth (XRPN) estreia na Nasdaq; Strive (SATS) capta US$ 630 milhões para comprar Bitcoin. Live de Domingo Tesourarias cripto voltam a captar, mesmo com os ETFs saindo.
Deutsche Bank planeja custódia de BTC e ETH; Standard Chartered lança custódia de RLUSD. Live de Domingo Bancos tradicionais ampliam a infraestrutura.
Coreia do Sul bloqueia 27 sites de corretoras sem registro. Live de Domingo Pressão regulatória sobre corretoras offshore.
Kraken retira tokens menores (23/10) e Coinbase encerra USDT e DAI (30/10). Live de Domingo Calendário de risco de liquidez em microcaps.
09 · O que mais importa

O preço se recuperou, mas quem o sustenta ainda não está comprando

O dado mais importante é a divergência. O Bitcoin voltou a US$ 82,4 mil e testa a média de 200 períodos, mas o STH-SOPR, que mede se os compradores recentes vendem com lucro ou prejuízo, está em 0,9982 e ficou abaixo de 1 em cinco dos últimos sete dias. Ou seja, quem comprou há pouco está vendendo no prejuízo.

Três sinais reforçam a cautela: as corretoras voltaram a receber moeda, com netflow de +8.428 BTC entre 11 e 17/10 contra −5.285 BTC na semana anterior; as stablecoins encolheram 0,51% em sete dias; e o volume de futuros é cerca de 11 vezes o do spot. Do lado positivo, o fluxo dos ETFs melhorou e as baleias mantêm mais de 3,02 milhões de BTC. A leitura é de estabilização, mais do que de retomada clara da demanda. Para ficar construtivo precisamos de STH-SOPR acima de 1, netflow consistentemente negativo e expansão das stablecoins. Até lá, o preço fica refém de Meta, Tesla, dos PMIs e do FOMC de 28/10.

STH-SOPR 0,9982 abaixo de 1 em 5 de 7 dias
Netflow · 11 a 17/10 +8.428 BTC entrada em corretoras
Futuros sobre spot 11× aposta acima da compra
10

On-chain

Fundamentos da rede

Leitura de 19/10, últimas 24 horas: BTC em torno de US$ 82,4 mil. Sinal do dia: defensivo. O preço reage, mas os indicadores de venda, fluxo e liquidez ainda não confirmam.

10.1Compradores recentes no prejuízo

Segundo a CryptoQuant, o STH-SOPR está em 0,9982, abaixo de 1 em cinco dos últimos sete dias. Pela Glassnode, o MVRV de uma semana a um mês está em 0,978 e o de um dia a uma semana em 0,999: quem comprou nas últimas semanas está, em média, no zero a zero ou ligeiramente no prejuízo. O SOPR agregado da Glassnode está em 1,019.

Em uma semana, o lucro de quem comprou há pouco virou prejuízo SOPR · quanto cada grupo está acima ou abaixo do preço de custo
100 a 1.000 BTC 1,042 SOPR agregado 1,019 1.000 a 10.000 BTC 0,999 Compradores recentes 0,9982 10.000 a 100.000 BTC 0,994 1,000 · preço de custo
O eixo é o break-even. Só as carteiras de 100 a 1.000 BTC realizam lucro relevante (+4,2%); as de 10.000 a 100.000 vendem 0,6% abaixo do custo, e os compradores recentes, 0,2% abaixo. A cor indica o sinal do número, não se a notícia é boa. Fonte: CryptoQuant e Glassnode.

10.2Corretoras: o netflow virou

O netflow mede a diferença entre moedas que entram e saem das corretoras. Entrada em excesso indica potencial de venda. Entre 4 e 10/10, saíram 5.285 BTC, movimento positivo, de retirada para custódia própria. Entre 11 e 17/10, o fluxo virou e entraram 8.428 BTC. Em 18/10, o dado preliminar mostra saída de 485 BTC, sem confirmação. As grandes transferências de 18/10 foram de saída líquida: 425 BTC na faixa de US$ 100 mil a 1 milhão, 644 BTC na de 1 a 10 milhões e 270 BTC acima de 10 milhões.

10.3Alavancagem e demanda spot

Na CoinGlass, o open interest está em US$ 53,4 bilhões, o volume de futuros em US$ 47,3 bilhões nas últimas 24 horas e o volume spot em apenas US$ 4,1 bilhões: os futuros são mais de 11 vezes o spot. A média do open interest caiu 1,61% na semana, e o funding segue positivo, ou seja, quem está comprado paga para manter a posição. Alavancagem alta com spot fraco deixa o preço sensível a liquidações.

10.4Liquidez em stablecoins

A DefiLlama mostra US$ 302,31 bilhões em stablecoins: −0,02% em 24 horas, −0,51% em sete dias e +0,35% em 30 dias. O USDT soma US$ 183,44 bilhões e o USDC, US$ 72,58 bilhões. É a segunda semana de contração, o que enfraquece a tese de entrada imediata de dinheiro novo em cripto.

Ponto cego

O que o mercado não está enxergando?

A discussão do mercado é se o Bitcoin vai romper US$ 83 mil depois da recuperação de domingo. O que fica menos visível é que a recuperação veio com vendas no prejuízo, retorno de moeda às corretoras e stablecoins encolhendo. O preço sobe, mas quem o sustenta ainda não está comprando. Se Meta e Tesla reacenderem a narrativa de IA, o mercado pode ganhar tempo, mas a confirmação on-chain precisa vir junto.

Visão LP

Estabilização, não retomada

Preço: recuperou US$ 82 mil (positivo). STH-SOPR: abaixo de 1 (atenção). Netflow: voltou a entrada (atenção). Stablecoins: contração (cautela).

Para virar construtivo, precisamos de STH-SOPR acima de 1, netflow consistentemente negativo e expansão de stablecoins. Enquanto isso, a alta de preço deve ser tratada com cautela: depende de gatilho externo, e não de compra orgânica.

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Indicador técnico

Análise técnica · gráfico 1h

11.1Suportes e resistências

Ativo Preço Suportes Resistências RSI (14)
BTC/USDT US$ 82.436 81.800–82.000 · 80.686 · 80.000 82.700–83.000 · 83.500 · 84.000 ~56
ETH/USDT US$ 2.425 2.400 · 2.375 · 2.350 2.435–2.450 · 2.460–2.475 · 2.500 ~56
USDT/BRL R$ 5,0577 5,04–5,03 · 5,00 · 4,98 5,07–5,08 · 5,10 · 5,1395 ~42

Suportes e resistências do mais próximo ao mais distante. Leitura do gráfico de 1 hora em 19/10, às 07h39.

11.2Bitcoin (BTC/USDT)

Gráfico de 1 hora na OKX, com MA Ribbon de 9, 21, 100 e 200 períodos e RSI de 14, às 07h39.

  • Leitura: o BTC está acima da média de 100 períodos e testa a de 200, em torno de US$ 82.400. O RSI em torno de 56 mostra força moderada, sem sobrecompra.
  • Cenário de alta: rompendo US$ 83.000, abre espaço para US$ 83.500 e US$ 84.000.
  • Cenário de baixa: perdendo US$ 81.800, volta a testar US$ 80.686, com US$ 80.000 abaixo.

11.3Ethereum (ETH/USDT)

Gráfico de 1 hora na Binance, mesmas médias e RSI, às 07h39.

  • Leitura: o ETH sustenta a região de US$ 2.400 e tenta recuperar a média de 200 períodos, em torno de US$ 2.458. RSI perto de 56, positivo.
  • Cenário de alta: segurando US$ 2.400, a recuperação continua válida. Rompendo US$ 2.450 a 2.475, abre caminho para US$ 2.500.
  • Cenário de baixa: perdendo US$ 2.400, aumenta o risco de voltar para US$ 2.375 e US$ 2.350.

11.4Dólar digital (USDT/BRL)

Gráfico de 1 hora na Binance, mesmas médias e RSI, às 07h40.

  • Leitura: o USDT/BRL perdeu força depois da queda do fim de semana, com RSI em torno de 42. O preço está abaixo de R$ 5,08, o que mantém o viés fraco.
  • Cenário de baixa: abaixo de R$ 5,08 o viés segue fraco. Perdendo R$ 5,03, testa R$ 5,00.
  • Cenário de alta: recuperando R$ 5,08, mira R$ 5,10 e R$ 5,1395.
Conclusão técnica

O Bitcoin testa a média de 200 períodos perto de US$ 82.400, com resistência em US$ 83.000 e suporte em US$ 81.800. O Ethereum precisa segurar US$ 2.400 para manter a recuperação válida, e rompe a região de US$ 2.450 a 2.475 para buscar US$ 2.500. O dólar digital segue com viés fraco abaixo de R$ 5,08.

Com Meta, Tesla e os PMIs pela frente, os níveis de US$ 83.000 para cima e US$ 81.800 para baixo definem o próximo movimento. Conteúdo educacional, não é recomendação de investimento.

Bitcoin nesta abertura 82.436 −1,2% na semana
Linha que decide 81.800 suporte de 1h
Catalisador Meta e Tesla quarta, 21/10